sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estreia e cenas mais votadas

A estreia do Clube da Cena no Teatro das Artes (Shopping da Gávea), no último dia 1º de novembro, foi espetacular.

Vejam algumas fotos (by Bárbara Campos) das cenas que foram apresentadas.




 
Cena baseada na manchete: 

"Suspeito de agredir namorada em São Paulo diz que era traído em pensamento"

Site O Dia ONLINE – 15 de outubro


  
Cena baseada na manchete: 
 
.    "Menores fogem de carro em Minas para buscar cavalo na Bahia"
Site G1 – 14 de outubro
 
Cena baseada na manchete: 
 
"Mulher traída não vai ao resgate no Chile e marido é recebido por amante"

Site G1 - 13 de outubro
 



Cena baseada na manchete: 

"Mordomo com experiência. Dormir na residência de trabalho, acompanhar em viagens e dirigir automóveis".

Jornal O Globo 15 outubro 


  
Cena baseada na manchete:  
 
"Apresentador é demitido ao ser pego bebendo em programa ao vivo"
Site G1 15 de outubro


  
Cena baseada na manchete:

"Comerciante morre engasgado após comer mocotó em bar no Espíto Santo" 

Site O Dia On Line - 15 de outubro



Nosso músico Aldo Medeiros


E como já é normal acontecer, o público votou nas cenas que mais gostou.

As escolhidas foram (basta clicar nos links pra ver os vídeos no youtube):







SEMANA QUE VEM TEM MAIS

Clube da Cena
Toda segunda, 21h
Teatro das Artes (Shopping da Gávea)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Clube da Cena está de volta!


Atenção! 

Clube da Cena está de volta!

Reestreia dia 1º de novembro de 2010, às 21h

Teatro das Artes (Shopping da Gávea)

Não percam!


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NOVA TEMPORADA DO CLUBE DA CENA ESTREIA DIA 1º DE NOVEMBRO, NA GÁVEA

A cada segunda-feira, o Teatro das Artes abre suas cortinas para um novo espetáculo, baseado em manchetes de jornais

O Clube da Cena é o encontro de artistas de teatro para refletir sobre o mundo atual, por meio de um teatro vivo, interativo e comunicativo. Sempre atual, a cada sete dias é produzida uma divertida crônica teatral, sempre baseada em notícias publicadas nos jornais na semana. A nova temporada do Clube da Cena começa dia 1º de novembro, às 21h no Teatro das Artes do Shopping da Gávea, onde fica em cartaz até 13 de dezembro, sempre às segundas-feiras.

O projeto reúne oito autores, dez diretores, 24 atores, um músico e alguns convidados especiais para escrever, dirigir, montar e encenar uma peça inteiramente nova a cada semana, a partir de manchetes de jornal. Tudo funciona através de sorteio. Seis notícias que ganharam espaço na mídia são selecionadas durante uma semana e distribuídas, por meio de sorteio, a seis autores. Cada dramaturgo tem apenas uma semana para criar uma cena a partir da manchete recebida. Depois disso, um novo sorteio define dois atores e um diretor para encenar os seis textos selecionados, também em apenas uma semana.  Passados sete dias, as equipes se reúnem para um ensaio geral técnico de som e de luz para o espetáculo ser apresentado. 

O Clube da Cena foi idealizado pela autora, produtora e atriz Cristina Fagundes e envolve profissionais de diversos grupos e trabalhos ligados à comédia, como o Teatro do Nada,  Surto, Poutpourrir, Zorra Total, Inanimados, Tablado, entre outros.  Os artistas do coletivo foram indicados a vários prêmios por cenas criadas no projeto, conquistando o de melhor esquete, melhor ator e melhor atriz no Festival Estadual de Humor do Rio de Janeiro em 2009 e, em janeiro deste ano, se apresentou com sucesso em São José do Rio Preto, a convite do festival Janeiro Brasileiro da Comédia.



SERVIÇO: CLUBE DA CENA
Local: Teatro das Artes – Shopping da Gávea – 2º andar
Endereço: Rua Marquês de São Vicente,52 – Gávea, Rio de Janeiro
Tel: (21) 2540-6004
Temporada: de 1º de novembro a 13 de dezembro, toda segunda-feira, às 21h
Ingressos :  R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (idosos e estudantes)
Classificação etária: 14 anos
Capacidade: 457 lugares
Duração do espetáculo: 1h10m

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mês de maio com as cenas escolhidas pelo público

Semana passada começou a apresentação das cenas escolhidas pelo público. Ou seja, no mês de maio o Clube da Cena reapresentará as cenas mais votadas. No total, foram escolhidas 12 cenas que se destacaram na temporada de março e abril.

E essa é a chance para você que ainda não viu, apreciar o trabalho desse coletivo de atores, diretores, autores e um músico. E você que já viu, também pode rever a sua cena favorita!

Lembrando: toda sexta, 21h, no Planetário da Gávea (RJ).

Abaixo o roteiro das cenas de maio:

SEMANAS 01 E 03 DE MAIO, OU SEJA, DIAS 7 E 21 DE MAIO

1. A NOVA MULHER de Cristina Fagundes

Direção de Melvim, com Maira Kesten, Zé Auro e Raul Franco

2. DESLIGA POR FAVOR de Jô Bilac

Direção de Luis Carlos Talú com Mariana Santos, Alexandre Barros e Mariana Cônsoli.

3. REACÕES IMPROVÁVEIS de Leandro Muniz

Direção de Leandro Muniz com Bia Guedes e João Velho

4. PROIBIDÃO CARIOCA de Ivan Fernandes

Direção de Ivan Fernandes, com João Rodrigo Ostrower, Marcelo Dog, Vinicius Messias e Alexandre Barros

5. O PODER DAS BACTÉRIAS de Larissa Câmara

Direção de Márcio Libar com Maíra Kesten e Zé Auro

6. EU VOU CHAMAR O SÍNDICO de Leandro Muniz

Direção de Melvim com Mariana Santos, Renato Albuquerque e Convidada.



SEMANAS 02 E 04, DIAS 14 E 28 DE MAIO:

1. SEM SAÍDA de Moisés Bittencourt

Direção de Luis Carlos Talú com Bia Guedes, Flávia Espírito Santo, João Rodrigo Ostrower e João Velho

2. VOCAÇÃO de Cristina Fagundes

DIREÇÃO Renato Livera com Luis Lobianco, João Rodrigo Ostrower e Mariana Santos

3. SE VIRA MALANDRO de Cristina Fagundes

Direção de Morena Cattoni com Alex Nader, Renata Tobelem, Marcelo Lima e Aline Borges

4. VIP de Jô Bilac

Direção Luis Carlos Nem com Cristina Fagundes e Cláudio Amado

5. OS DOIS LADRÕES de Ivan Fernandes

Direção Renato Livera com Alex Nader, Cacau Berredo e Rafael Menheimmer

6. AXÉ TALIBÃ de Leandro Muniz

Direção dos atores com Mariana Santos e Raul Franco

terça-feira, 4 de maio de 2010

Palhinha da sexta passada - dia 30/04

MECÂNICO COMEMORA 13 ANOS DE MORTE
Luiz Henrique Bayma teve a morte forjada em abril de 1997;segundo ele, pela ex-mulher, que buscava pensão vitalícia
FOLHA DE SÃO PAULO – COTIDIANO – 11 DE ABRIL DE 2010
JO BILAC


DESLIGA, POR FAVOR. de Jô Bilac

André: (sussurrando, atende o telefone) Alô...

Suzi: (do outro lado do telefone, histérica) André?????

André: Suzi, pode me ligar depois? Vai começar a peça, já deu o terceiro sinal...

Suzi: Que papo é esse, André? onde você está em plena sexta feira a noite?????

André: Num teatro...

Suzi:(passional) hahahahhaha!!! Você está é num motel da Gomes Freire com uma vagabunda, trepando horrores!!! Seu canalha!!!!

André: Não Suzi, não estou com nenhuma " vagabunda num motel da Gomes Freire, trepando horrores", estou num teatro aguardando uma peça começar.

Suzi: (chorando) Mentira!

André: Não é mentira..

Suzi: É sim!!!!

André: Escuta...

Suzi: Sórdido! Te odeio!

André: Vai escutar?

Suzi: Vocês homens são todos iguais!!!

André: Suzi...

Suzi: Eu sou uma burra por ficar insistindo!!!

André: Suzi, eu só não te chamei porque você já disse mil vezes que não gosta de teatro e hoje é a estréia de uma amiga minha e eu vim prestigiar...

Suzi: Que amiga? Homem não tem amiga! Onde já se viu homemm ter amiga? Amiga atriz então...!!! Não confio no caráter das atrizes! Só se for sapatão! Ela é sapatão? Quem é essa atriz sapatão, André?

André: E quem disse que a minha amiga é atriz sapatão? É a estréia dela como produtora de teatro... E ela é casada, tem filho, super repeitada.

Suzi: E que peça é essa?

André: "Clube da cena".

Suzi: (desconfiada) Clube? Ué? Não é teatro? É clube? Qual é André??? Que papo é esse de clube?

André: É o nome do espetáculo, Suzi!!! Clube da cena. Toda semana um espetáculo diferente, com um elenco variado.

Suzi: Onde?

André: No teatro Maria Clara Machado, planetário, aqui na Gávea, perto da PUC.

Suzi: PUC???? Agora eu entendi tudo! Vc está é enchendo os córnios com essas universitárias maconheiras dos infernos! Como eu te odeio , André!!!!

André: Suzi! Pelo amor de Deus, não pira! É só uma peça de teatro. Hoje inclusive tem uma cena do Jô Bilac. Você não gosta do Jô BIlac?

Suzi: O Jô Bilac? Aquele rapaz sexy e inteligente?

André: Isso mesmo.

Suzi: Não mente pra mim, André! Eu tenho uma amiga que conhece o Jô, com um telefonema eu descubro se essa sua história é real ou não!!!

André: Claro que é real! Inclusive eu tenho que desligar justamente porque a cena que o Jô escreveu já vai começar.

Suzi: E sobre o que é?

André: O que?

Suzi: O texto do Jô.

André: É sobre um cara que está comemorando 13 anos de morte. A morte foi forjada pela esposa pra ela ganhar um seguro, um lance assim...

Suzi: Eu vou amanhã aí pra ver se é verdade.

André: So tem nas sextas.

Suzi: Você quer me dizer que esses caras tem um trabalho gigante pra mntar um espetáculo diferente e só se apresentam 1 vez por semana?

André: É isso aí. Se quiser, a gente vem sexta que vem...

Suzi:Não gosto de teatro... Mas eu vou!!!! E "ai" de você se esse espetáculo não estiver em cartaz!!!!!! Eu acabo com a sua raça, André!!!

André: Ok. Tenho que desligar agora. vai começar.

Suzi: Tá certo... Quando acabar me liga.

André: Ok. Beijos.

Suzi: ( fazedo mimo) Você me ama?

André: (meio impaciente) Ai..Suzi... Amo, amo sim...

Suzi: Muito ou pouco?

André: Muitão.

Suzi: Muitão muitão?

André: Muitão muitão. Agora é sério amor, tenho que desligar.

Suzi: Tá. Beijos.

André: Beijos.

(André desliga. Revela-se que ele está num motel com Sheilla)

Sheilla: (super vagabunda) Nooossa!!! Pensei que não fosse desligar nunca...

André: Foi mal, Sheillinha... A minha namorada é muito desconfiada...

Sheilla: Ah! Então vamos aproveitar, porque segundo o anúncio desse jornal, a peça só tem 1 hora e vinte minutos!

André: Viva a cultura nacional! (beijam-se com muito desejo)

fim

Vídeo da cena

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PREPARAR HERDEIRO EM VIDA REDUZ CHANCE DE PERDA DE PATRIMÔNIO
FOLHA DE SÃO PAULO – IMÓVEIS - 11 DE ABRIL DE 2010
VOCAÇÃO, DE CRISTINA FAGUNDES

PAI: Então meus filhos, depois de 50 anos construindo nosso patrimônio, chegou a hora de passar o bastão.  É. Seu pai tá cansado e alguém precisa começar a tocar os nossos negócios pra mim.  Nós temos minas, indústrias, usinas  atômicas, empresas de telecomunicações, de metereologia, de naves espaciais,  de bonecas infláveis,  mais que isso, temos  franquias de cones e frozen yogurt que precisam ser geridas.  Ah, em breve,  vamos relançar também os Menudos.  Bem, para administrar isso tudo eu conto com vocês.  Sim.  Vocês meus dois únicos filhos, que estudaram nas melhores universidades, moraram fora, falam línguas, enfim, que já estão mais do que preparados para assumir o meu lugar. Aliás,parabéns Beatrice Alcântara, pela conclusão de seu doutorado em bussiness em Harvard. Soube que você defendeu sua tese com louvor. A banca aplaudiu de pé.  Em cima da mesa. Soube que contrataram até cheeleaders.  Nunca vi uma banca tão efusiva.  Você é Incrível.   Parabéns minha filha, esse novo doutorado deve ter sido muito duro pra vc.
FILHA: Ah, papai, foi tão fácil...
PAI: Você também disse isso quando conquistou seu PhD em física quântica em Oxford.
FILHA: Ah, papai...
PAI: E quando aprendeu esperanto, sua décima segunda língua. 
FILHA: ah, papai, depois de 10 linguas fica automático...
PAI:  E quando foi a trapezista destaque do circo de soleil.
FILHA: Sempre gostei de ginástica...
PAI: Saltando em dupla com a Baleia Free Willie.
FILHA: Mas ela saltava tão bem...
PAI: Modesta.  È o que você é minha filha.  Modesta. Mas chegou a hora de você ter um cargo `a sua altura.  A partir de hoje você ficará à frente das nossas 10 principais holdings de telecomunicações do sudeste asiático. Você será Vice-Presidente da Giga Asian Corporations.
FILHA: (meio decepcionada sem querer demonstrar) Vice-Presidente?
PAI: Sim.
FILHA: Da Giga Asian?
PAI: É. Que foi? Não gostou?
FILHA: Ah, papai, imagina, eu gostei sim, obrigada!  Vai ser tão... desafiante. Vou ligar agora mesmo para os dirigentes mundiais.  Vou marcar um coquetel na ONU pra comemorar!
PAI: ótima idéia filha! Chama o Obama e providencia bastante champanhe que o Lula bebe bem, você sabe.
FILHA: é verdade! Todo mundo sabe!
FILHA CORRE PARA O TELEFONE, SAI DE CENA.  FICAM PAI E FILHO
PAI: Meu filho, eu deixei para falar com você por último porque, apesar de muito talentosa e dedicada, sua irmã não chega a seus pés em brilhantismo.  Você sempre foi um talento, um gênio. 
FILHO: (modesto) Que isso pai...
PAI: Pensa que eu não sei que foi vc quem deu deu aquele toque no Bil Gates... aquilo de fundar a Microsoft? Hein? E olha que vc ainda era um bebê.  Você é um visionário meu filho.  
FILHO: Ah, pai, também não é assim.
PAI: Não, me deixa falar, eu tenho muito orgulho de você meu filho.  Vocè é um verdadeiro gênio.  Isso não acontece sempre.
FILHO: Obrigado papai.
PAI: Pois bem, agora chegou a hora da minha sucessão e eu gostaria muito de aproveitar esse seu  talento.  E pensei que a melhor forma de fazer isso seria deixar que você mesmo escolha seu cargo. É. Que cargo você vai querer nas nossas empresas meu filho?  Presidente da Mega Motors?
FILHO: Não pai, é um cargo realmente muito estimulante mas não é isso que eu quero.
PAI:  Ambicioso você hein? Que tal Vice-Presidente de lançamentos da Apple?
FILHO: Não pai, é muito desafiador mas eu não quero, obrigado.
PAI: Então, diga você, meu filho, o que você quer ser?
FILHO: Ascensorista.
PAI: Oi?
FILHO: Ascensorista.
PAI: Não entendi.
FILHO: É o que eu sempre quis ser. Ascensorista.
PAI: Não ouvi bem.
FILHO: Quero ser ascensorista.
PAI: Como assim?
FILHO:  Meu sonho é fazer o elevador subir e descer.
PAI: Seu sonho é o quê?
FILHO: Operar um elevador.  Fazer ele subir e descer. Sabe? Sobe? Desce?
PAI...??
FILHO: É uma profissão tão linda... E todos aqueles botões? Hein?  1°, 7°, 13°, 25°, emergência! O que é aquele  botão da emergência gente! È  vermelho pai!  Vermelho! Diferenciado! (num crescente) E vc fica lá sentado o dia todo.  (tempinho) E as pessoas entram e saem. A porta abre e fecha... você vê os andares no mostrador! Ás vezes a porta vai fechar em cima da pessoa e vc tem que salvar!
PAI: o quê?
FILHO: (emocionado) Na verdade eu sempre senti que faltava alguma coisa sabe? Mesmo quando que ganhei meu primeiro Nobel de ciência pai, lembra, eu tava na high school, então? Mesmo naquele momento, com o Nobel na mão, eu senti que era algo maior o que eu queria.  E aí há pouco tempo caiu a ficha. (tomado)  Minha missão nesta vida é ser ascensorista.  Eu nasci pra isso pai! (com medo) Mas eu não sei se eu dou conta...  Eu tenho medo de não corresponder sabe?  Será que eu... ai não sei, é que eu fico vendo o seu Malaquias lá da United Press e...
PAI: Seu Malaquias?
FILHO: É, (reverente) o seu Malaquias, o principal ascensorista da United pai.  Ele trabalha lá há uns 15 anos, como é que você não sabe disso?  O cara é  foda!  Vc acredita que ele só aperta o botão com o polegar? Podia ser qualquer outro dedo, mas não, é polegar!  Que estilo cara! Que estilo!   E o Juquinha, hã?
PAI: Juquinha?
FILHO: É. O Juquinha la do Manhatan Building! Pô tem que ver, o cara é bom naquilo, o cara é o melhor pai, e tem classe, tem que ver ele fazendo palavra cruzada.   E ele faz uma cara neutra pai, mas uma cara tão neutra... Sobe. Desce. Não mexe um músculo. O cara é brilhante pai!  Mas eu não quero ser que nem eles não...
PAI: Claro que não meu filho.
FILHO: Eu quero ter a minha própria assinatura de ascensorista entendeu? Meu próprio estilo.   
PAI: ... (tempo – em estado de choque) ascensorista... (começa  a se coçar)
FILHO: Ascensorista do Edifício Central.
PAI: Oi?
FILHO: Eu quero trabalhar no elevador do Edifício Central pai. Na carioca. Eu fiquei sabendo que vai abrir uma vaga lá esse mês pai.
PAI: No elevador do Edifício Central?
FILHO: É. O elevador de lá é antigo e vive quebrando!  Vai ser um desafio pai.  Um elevador que vive quebrando! Já pensou?! O senhor guarda essa vaga pra mim pai?
PAI: Guardar essa vaga?
FILHO: È. Por favor pai.  Eu preciso dessa vaga. Mas não conta pra ninguém que foi você que me colocou lá, hein? Nem que você é meu pai. Que você sabe como é né? Eu não quero ninguém dizendo por aí depois que eu só consegui virar ascensorista por sua causa.   
PAI: (tempo) Ai... ai meu peito.
FILHO: O que foi pai?
PAI: Eu não to me sentindo muito bem.
FILHA ENTRA: O que houve papai?
PAI: nada minha filha, foi o seu irmão.
FILHA: O que que ele fez?
PAI: Ah, minha filha, o seu irmão acabou de me contar aqui que  quer ser... ascensorista.
FILHA: (pra o irmão) Vc contou para ele? !
FILHO: Contei.
FILHA: Como é que você teve coragem de fazer isso?
FILHO:...
PAI: Ascensorista...
FILHA: Ah, papai, não fica assim, toma, bebe essa água, vai te fazer bem.  Isso agora senta aqui. Pronto, ta melhor?
FILHO: Tô, graças a Deus minha filha.
FILHA: Que bom papai, porque eu queria ter falar uma coisa.
PAI:  O que minha filha?
FILHA: è que eu não queria ser Vice-Presidente da Gigal Corporations sabe?
PAI: Você não quer ser vice-presidente da.../
FILHA: Não papai. Na verdade, eu quero ser gari. Na Comlurb.   É o que eu sempre quis ser papai. Gari.  Acho tão lindo varrer, sabe, varrer?  Só varrer? (continua a falar de como é bom ser gari, a luz vai caindo).
FIM.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Palhinha da semana passada - dia 23/042010

SEM SAÍDA - de Moisés Bittencourt

Começamos com um trovão. De repente, uma chuva caótica soa no ambiente. É o Rio de Janeiro inundando. Logo vemos o primeiro personagem. Silvinha Araújo. Famosa atriz que tenta se esconder com um elegante guarda chuva debaixo de um viaduto.

SILVINHA
(NO CEL) Beta! Beta ! Ta me ouvindo?! Beta! Pois é menina, temporal. Larguei meu carro na pista porque eu estava sendo levada, acredita nisso? Eu to aqui perto da Rocinha. Toda molhada. O caos. Pelo visto vai adiar a gravação né? ( RELAMPAGO SOA ) Alô. Alô, Beta.


Surge um novo personagem também correndo da chuva. Seu Zezim. Camelô que fica por ali mesmo. Protege-se debaixo do viaduto.

ZEZIM
( NO CEL AOS BERROS) Alô, Iracema! Ôh Iracema. Ta me ouvindo? (DESISTE E DESLIGA) Sinal acabou aqui. Vê se pode ! A gente coloca cartão pra nada!(OBSERVA A MOÇA E LOGO A RECONHECE) Vem cá , tu não é aquela atora?

SILVINHA
Oi?

ZEZIM
Aquela atora da televisão, é tu né?

SILVINHA
(SEM JEITO) Sim, sou eu sim.

ZEZIM
Agora veja! Minha esposa te adora. Tu ta fazendo qual novela na grobo mesmo?

SILVINHA
Não, não é na Globo, senhor, é na Record. (CEL TOCA) Alô. Oi, Beta, caiu a ligação. Sinceramente, eu não sei o que fazer. Avisa aí a produção. Ta uma tempestade. Eu to parada debaixo de um viaduto, ilhada. O quê?

Surge mais um personagem. Dona Ivonete. Madame de São Conrado, cujo carro também ficou atolado.
IVONETE
Que horror ! Ai, nossa! Eu atolei! Absurdo! Basta chover pra esse Rio fica assim. Na Grécia é totalmente diferente.

SILVINHA
(CEL) Ta, ta. Ta bom, me liga qualquer coisa. ( DESLIGA)

ZEZIM
(APONTANDO) Óia ali moça. Aquela atriz da Grobo. Ali.

IVONETE
(DEPOIS DE OBSERVAR) Desculpa, eu não vejo televisão. Que chuva é essa?!

ZEZIM
E tá aumentando.

IVONETE
(CHAMANDO UM TAXI) Táxi!! Táxi!!

ZEZIM
Dianta não senhora. Os taxi nem tão fazendo . Tão parando tudo.

IVONETE
Meu carro ficou preso ali perto do Fashion Mall. Um horror.

SILVINHA
O meu também.

IVONETE
Tá todo atolado.

ZEZIM
Minha bicicleta também. Ficou toda descascada quando eu tava descendo lá de cima. Larguei nos camelô ali.

IVONETE
Vou ligar pro reboque né. É o jeito.


ZEZIM
Chi! Dianta não senhora. Reboque nem ta vindo porque parou todo o túnel de lá pra cá e daqui pra lá.

SILVINHA
Sério moço?

ZEZIM
To dizendo. Inundou todo o Jardim Botânico, ninguém passa, e os carro tão preso num engarrafamento de lá pra cá e daqui pra lá. Assim de carro oh. Até trem parou , Até os metrô também.

IVONETE
Ah é? Como é que o senhor sabe de tudo isso?

ZEZIM
É que eu vejo televisão né dona. Vi agorinha ali na barraca do seu Antônio. Jornal ta noticiando aí que a coisa ta feia na cidade. Parou geral. E oh! Ta ouvindo? Ta aumentando!

Surge mais um personagem para completar a cena. Betinho.

BETINHO
Eita! Chuvão hen!

SILVINHA
E pior que já ta vindo água aqui.

BETINHO
To falando. Ta aumentando.

SILVINHA
Uma hora vai ter que parar né.

BETINHO
(RECONHECENDO-A) Vem cá!

ZEZIM
Já até sei o que o senhor vai perguntar pra ela.

BETINHO
Você é aquela atriz né? Silvinha Araújo, né isso?

ZEZIM
(EMOCIONADO) É ela mermo. Falei pra dona aqui que era ela.

SILVINHA
(SEM DAR OUVIDOS ) E agora gente?! O que eu vou fazer? Eu tenho gravação ainda hoje.

ZEZIM
Chi!

BETINHO
Ce acredita que eu tava indo pra Record agorinha mesmo levar material pra um teste? To cansado de fazer figuração na Globo.

IVONETE
(NOC EL) Alô Maria. Oduvaldo já chegou do golfe? Não?

BETINHO
Aí, bem que você podia me ajudar. Me indicando alguém lá, sei lá.

SILVINHA
(SEM PACIENCIA) Moço, eu não sei nem como eu vou sair daqui, que dirá te ajudar.

ZEZIM
Tu num fazia uma babá naquela novela das sete?

Relâmpago soa forte. Todos se assustam.

IVONETE
Maria pede pro Oduvaldo me ligar. Tchau. ( DESLIGA) Moço quanto é que o senhor quer pra desatolar o meu carro, eu preciso ir pra casa.

ZEZIM
Madame, nem pensar. Chuva doida essa aí. Tem que esperar.

IVONETE
Moço, o senhor não está entendendo, eu não posso esperar.

ZEZIM
Mas eu posso.

BETINHO
Você ta em que novela mesmo?


SILVINHA
(IRRITADA) Por favor, eu não quero falar de novela agora.

ZEZIM
Nem agora e nem nunca,né. Óia o aguaceiro que ta vindo em cima da gente!

Todos olham pra frente e gritam simultaneamente. B.O.


OFF RÁDIO- Morrem mais de 200 pessoas por conta da forte chuva que alagou a cidade maravilhosa. Entre os mortos estão à atriz Silvinha Araújo e a socialite Ivonete Perdura que boiava ao lado do corpo do camelô Zeliano Gomes da Silva.

BETINHO
(DANDO ENTREVISTA) Então, quando a chuva começou, eu tava ali em São Conrado. Graças a Deus eu consegui me salvar.

OFF- O senhor estava voltando pra casa?

BETINHO
Não, eu tava indo fazer um teste na Record pra elenco fixo numa novela porque antes eu fazia figuração na Globo. (SEM GRAÇA) Ih, meu Deus, será que eu falei demais?


FIM

vídeo da cena

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AXÉ TALIBÃ
Leandro Muniz



Um homem vestido com roupas do movimento talibã, estilo “Bin Laden, barba grande, turbante branco e vestes brancas, está sentado em um lugar, ao lado de Mulher. Ele está com uma maleta no chão, ao seu lado.
Silêncio. Ela ameaça falar alguma coisa, mas desiste. Está tímida, sem ser medrosa, apenas tímida, querendo se “enturmar”. Ele está sério, e não se mexe. Ela começa a estranhar o fato de que ele está muito parado, olhando para o nada.


MULHER
Então, falta de assunto? Pois é, eu acho um absurdo o que fizeram com você, sabe? Puro preconceito. Quem eles pensam que são? Você me parece uma pessoa íntegra, inteligente... Simpática né... É nítida a sua simpatia, essa maneira cativante de agir, esse jeito tímido, calado, mas que diz tanto. Todos do seu país devem ser assim, imagino.

Homem não responde.

MULHER
Devem ter estilo. Sim, porque o que não podem falar é que você não tem estilo. Essas roupas são bem... Bem... Diferentes né? Você já foi a Bahia? Não sei, mas eu tô percebendo em você uma semelhança com alguma pessoa, talvez... Ah já sei! Aquele compositor negro, que também é percussionista, um que usa umas tranças sabe? (silêncio. Ela se exalta tentando lembrar) Um que canta umas músicas com umas letras estranhas? Uns sons meio tribais, meio loucos? (silêncio) Não conhece né? Poxa, se tivesse um google aqui agora eu lembrava. Escapuliu o nome, ai odeio quando isso acontece! (silêncio) Tu curte axé? (silêncio) Sei lá, eu já curti muito numa época, ia pra essas micaretas todas fora de época sabe? CarnaBelô, CarnaSampa, CarnaJuizdeFora, CarnaGuaratatinguetananópolis (pausa) do Sul. Hoje em dia eu curto mais trance. (silêncio). Desculpe, eu sou uma insensível né? Você aí preocupado com tantas coisas, o vôo que você perdeu, e eu aqui falando de carnaval, de música. Eu não queria te chatear, desculpe, nem te causar esse tipo de constrangimento...


Homem coloca sua mala no colo.

MULHER
... Mas sei lá, eu imagino como deve ser solitário a pessoa chegar num lugar, não conhecer ninguém, ser tratado com preconceito, e não ser amparado, não ter alguém pra oferecer um ombro amigo. Pô cara, sério (Ela pega no ombro dele) pode contar comigo. Pro que der e vier cara, força. (silêncio) Te pediram pra ficar aqui esperando não é? Ta com fome? Tu quer que eu compre uma coisa pra você? Um lanche, uma coca cola? Tem um Mc Donalds ali. Quer? ( Ela ri) Caraca cara, tu é muito tímido né não? Pô, to aqui igual uma louca, falando falando e você nada.


Homem coloca sua mala numa mesa próxima, e a abre.


MULHER
Entendi. Isso é um jogo né? Você aí todo cheio de charme, vendendo o tipo tímido misterioso, não fala nada, as circunstâncias já te favorecem né? Essa situação “o rapaz abandonado do aeroporto”. Tô entendendo teu jogo. Olha, ta funcionando viu? Achei você muito...( faz manha e ri envergonhada) Ai, sei lá, fiquei tímida agora. Você quer  que eu compre um lanche pra você? Lembrei de um filme agora. Cara, um filme que tem tudo a ver com a situação desse momento. Com o fato de você se sentir estranho e deslocado, num lugar desconhecido, onde as pessoas não te aceitam como você é verdadeiramente. Onde a guerra nos consome, e não conseguimos mais ter uma clareza sobre as nossas relações com o próximo, o amor e a natureza. Onde o preconceito de raça é evidente, e deve ser abolido. Avatar. Já assistiu?


Homem tira uma bomba-relógio (Uma engenhoca, com fios coloridos. Pode ser feita com várias velas grandes, vermelhas, enroladas por “silver tape”. E grudado um relógio de ponteiros) de dentro da mala. Fica com ela em mãos. Bem lentamente, olha a bomba e confere os fios.


MULHER
...Pô brother, tu tem que assistir! Vai se sentir mais leve. Mas tem que ser em 3D, se não é perda de tempo. Em 3D que é o bicho. Esses oficiais estão demorando né? Sabia que você não ia agüentar ficar sem fazer nada, já arrumou uma distração né? Quando eu era criança eu tinha aquele joguinho, que era uma pessoa deitada e cheia de buracos, e tinha os órgãos pra gente colocar com uma pinça? Sabe? Quando a gente esbarrava no boneco, tinha um alarme. Péen!( faz o alarme) do paciente reclamando.(ri) Conhece, é do teu tempo? Acho que esse brinquedo era da Estrela. O que é isso que você ta mexendo, posso ver?


Mulher aproxima-se de Homem, e ameaça pegar da mão dele. Homem, com cara de reprovação,  puxa pra perto de si a bomba, para que Mulher não pegue.

MULHER
Ih, que foi? Se irritou? Quer brincar sozinho, né? Eu te entendo. (silêncio) Cara, quando eu tô com meu iphone eu fico completamente hipnotizada, no mundo da lua mesmo, que nem você tá agora, todo compenetradinho. Pô, muito louco essa coisa da tecnologia né brother? Bizarro, a globalização, a internet, pô, o silicone! O mundo tá muito doido, essas enchentes terríveis, os jogadores de futebol metidos com traficantes, tu curte o Adriano? E o Rick Martin gente, os terremotos, e essa polêmica toda do stand up comedy ser ou não ser teatro, e as pegadas que acharam do abominável homem das cavernas, você soube? Será que isso existe mesmo, porque nos ETs eu acredito, ah acredito sim, com certeza cara, de onde você acha que tiram tanta ideia pra filme de ficção? E o Lula, você acha que ele é o cara? (Mulher cansa, vai ficando tristinha) Poxa...Então tá... Pô... Tá bom seu moço boboca, metido, não quer papo comigo é? Tá certo, eu vou embora. Vou parar de falar, é isso que você quer né? Adeus.


Mulher sai de cena. Homem faz cara de aliviado, e volta a olhar para a bomba. Segundos depois, Mulher volta correndo sorrateiramente e pega a bomba da mão de Homem. Ele fica desesperado. Ela começa a correr, e brincar com a bomba.

MULHER (animada e infantil)
Peguei! Ah se ferrou, você não me pega! Não me pega! Lá lá lá! Tenta me pegar, tenta!


Homem tenta pegar a bomba de Mulher, que corre em círculos e o desnorteia. Ela fica trocando a bomba de mão, com os braços levantados, como se fosse uma bola. Homem começa a ficar irritado.

MULHER
Peraí, deixa eu ver uma coisa aqui. Esse relógio. (estranha o relógio de ponteiro) Ué (confere a hora no seu relógio de pulso). Esse relógio tá atrasado 1 hora esse relógio. (repetição da palavra relógio nessa última frase, é proposital) Rapidinho.

Mulher mexe no ponteiro do relógio.

HOMEM
Nãooooooooooooooooooooooooo!


Black Out. Som de explosão. 


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Palhinha da semana passada - dia 16/04/2010

“É o jeito”
De Jô Bilac
Personagens:
Mulher
Flanelinha
Funcionário
(Bossa nova no fundo. Tudo lindo. Dona de casa com um neném no colo. Ela está no supermercado, fazendo compras. Empurra um carrinho de compras, tem uma caixa de cereal na mão, confere o preço.)
Flanelinha: (aparece do nada) Esquerda, esquerda... Isso, vem vindo, manobra, manobra!
( A mulher sem entender)
Flanelinha: Pode dar ré, dá ré. Isso! Contorna pela esquerda! Isso! Vem que dá, vem que dá! Isso. (estende a mão) Três pratas.
Mulher: (sem entender) Oi?
Flanelinha: Três pratas.
Mulher: Do que você está falando?
Flanelinha: Estou falando de Dindin, aqué, mango, faz me rir, bufunfa, moeda, gaita, merréis, ducados, dólares, euros, reais! Três!
Mulher: Eu não vou te pagar.
Flanelinha: Qual é tia?
Mulher: Eu não te pedi pra fazer nada.
Flanelinha: Na moral tia...
Mulher: Eu não sou sua tia!
Flanelinha: Ajuda o trabalhador.
Mulher: Trabalhador...?
Flanelinha: Trabalhador sim, claro! (muito malandro) Essa é a minha área. Eu fico aqui olhando o carrinho da senhora, enquanto a senhora vai buscar o peitipoá, o leite em pó, a sardinha em lata, as paradas todas... Então: não deixo ninguém mexer nas compras da senhora, não deixo ninguém roubar nada, não deixo os funcionários rebocarem seu carrinho, e ainda por cima, se ficar pesado: eu dou uma ajuda pra empurrar! E tudo isso só por três pratas!
Mulher: Não, obrigada. Realmente eu não quero.
Flanelinha: (com cara de pena) Três pratas, moça. A senhora não vai ficar mais rica nem mais pobre por causa de três pratas.
Mulher: Não quero. Obrigada.
Flanelinha: Três pratas, moça! Não custa nem esse creme aí que a senhora compra! Deixa de ser canguinha.
Mulher: Eu já disse que não. Por favor.
Flanelinha: Eu não estou pedindo esmola não, viu? Eu só estou pedindo uma colaboração para um trabalhador independente, que assim como a senhora tem seu direitos e merece respeito!
Mulher: Meu querido, sito muito, eu também sou trabalhadora e valorizo o meu dinheiro, não sou obrigada a pagar por um serviço que eu não pedi! Tenho esse direito. Posso?
Flanelinha: Poder pode, né... Poder pode. (de canto de boca) Mas depois a gente faz besteira, aí não vai reclamar...
Mulher: O que?
Flanelinha: O que o que?
Mulher: O que foi que você disse?
Flanelinha: oi?
Mulher: Isso que você acabou de dizer... Repete.
Flanelinha: Eu não disse nada!
Mulher: Disse sim.
Flanelinha: Não disse.
Mulher: Disse: “depois a gente faz besteira, aí não vai reclamar...” Eu ouvi!
Flanelinha: Então se ouviu por que perguntou?
Mulher: Eu quis ter certeza.
Flanelinha: De que?
Mulher: De que você está me ameaçando!
Flanelinha: (cínico) Eu não estou ameaçando a senhora!
Mulher: Está sim!
Flanelinha: Eu te amecei?!
Mulher: Me coagiu ! Disse que vai fazer besteira e isso significa que você vai se vingar de mim só porque não te dei três pratas!
Flanelinha: (mais cínico) Eu não disse nada...
Mulher: Disse sim!
Flanelinha: A senhora é que está colocando palavras na minha boca.
Mulher: (exaltada) Disse sim! Vai se vingar de mim porque “não colaborei” com o “trabalhador independente”.
Flanelinha: Eu falei essas palavras “ se vingar”?
Mulher: Você não vai me intimidar! Não pode!
Flanelinha: Eu disse que ia me vingar?
Mulher: Você disse que vai fazer besteira! Eu ouvi!
Flanelinha: Não coloque palavras na minha boca!
Mulher: Não estou colocando palavras na sua boca! Eu ouvi! Vai fazer besteira e eu não vou poder reclamar!
Flanelinha: A senhora entenda como quiser!
Mulher: Então eu posso entender tudo isso como uma ameaça?
Flanelinha: Se assim preferir!
Mulher: Vai zonear as minhas compras, sumir com o meu carrinho!
Flanelinha: (perigoso) Pode ser que ele suma mesmo, aqui nesse supermercado vive sumindo carrinhos... Assim, do nada! Quando menos se espera: eles somem! Mas é como mandei a letra: se a senhora me pagar três pratas, evita a dor de cabeça! Eu fico aqui vigiando o carrinho da senhora e não deixo nenhum malandro se aproveitar... Mas se não pagar, não vou poder garantir nada...
Mulher: Está me chantageando...
Flanelinha: Entenda como quiser.
Mulher: Eu entendo isso como uma intimidação baixa e cruel para uma mulher que paga os seus impostos em dia.
Flanelinha: Mas é isso mesmo... Essa é a minha área e se a senhora não colaborar comigo eu não me responsabilizo por suas compras nesse carrinho!!!!
Mulher: (satisfeita) Era exatamente o que eu queria ouvir!
Flanelinha: Oi?
Mulher: O senhor está preso por uma cidadã! (a mulher saca um apito e toca alto, surgem policiais por todos os lados cercando o homem)
Flanelinha: O que isso?
Mulher: (firme) Cana, cadeia, xadrez, prisão, xilindró, sol quadrado, cela, buraco, pavilhão, pai de todos, fura bolo, mata piolho! Fim da linha, meu chapa. Você rodou malandro! Se meteu com a cidadã errada!
Flanelinha: (sendo algemado pelos policiais) Eu sou trabalhador! Eu sou trabalhador!!!
Mulher: Levem esse patife daqui! Ele agora vai manobrar pano de chão dentro do vaso!!
Flanelinha: (sai arrastado) Não! Eu só quero trabalhar! Não!!!!!!
Mulher: Obrigada rapazes! Bom contar com a eficácia da segurança pública. (sorri. Com a caixa de cereal na mão, recuperando a tranqüilidade, beijando a testa do seu neném. Volta a bossa nova.)
(entra um funcionário do supermercado)
Funcionário: Senhora...
Mulher: Sim?
Funcionário: Aqui está a sua guia para estacionar o carrinho da senhora no corredor.
Mulher: O que?
Funcionário: São cinco pratas, deverão ser pagas diretas no caixa.
Mulher: Guia? Mas o corredor do supermercado não é livre? Eu não posso simplesmente parar o meu carrinho sem precisar pagar nada a ninguém?
Funcionário: Não. (sorri)
Mulher: Mas não é possível! Agora tudo é pago?
Funcionário: Sim. (sorrindo com águia estendida)
Mulher: Isso é um serviço independente de um trabalhador autônomo?
Funcionário: Não. Isso é um trabalho regulamentado com carteira assinada promovido por grandes estatais. (estende a guia num gesto mais impositivo)
Mulher: E se eu não pagar? O que vai fazer?
Funcionário: (sorrindo) Irei contar com a eficácia da segurança pública.
(entram os mesmo policiais olhando para ela, ameaçadores)
Mulher: ( pega a guia constrangida) Cinco pratas, né...
Funcionário: Por quatro horas, se ultrapassar o limite do tempo, sobe para oito.
Mulher: Oito??? Poxa, isso não pode ser assim e... (policiais avançam) Aceita cartão? (sorri)
Funcionários: Sim senhora. Alguma dúvida mais?
Mulher: (sorri amarelo) Não obrigada.
Funcionário: Por nada. Tenha um bom dia. (sai)
Mulher: (olha para o cereal e olha para a guia. Desiste do cereal e o devolve para a prateleira. Sai de fininho)
Fim.

Vídeo da cena

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REAÇÕES IMPROVÁVEIS AO GANHAR A MEGA SENA
Leandro Muniz


Mãe e Homem fazem todos os diversos pequenos diálogos a seguir. Ao final de cada encontro, voltam para uma posição inicial, configurando que aquela micro cena terminou, e começará uma nova. O objetivo é que a emenda entre cada ceninha seja muito rápida, clipada, para que a repetição do mesmo encontro e a velocidade, sejam a graça de tudo.

1.

HOMEM
Mãe, eu preciso falar com a senhora.
MÃE
Já sei. É dinheiro?
HOMEM (explode)
É!  Ganhei na Mega Sena porra!
MÃE
Tá bom meu filho, então vai dar um jeito no seu banheiro antes de dormir, que tá um nojo.

2.

HOMEM
Mãe, eu preciso te falar uma coisa.
MÃE
Fala meu filho.
HOMEM
Senta.
MÃE
Filho, não precisa dizer nada. Eu vi as revistas no seu quarto. Por mim tudo bem você ser homossexual, aquele moço dos Menudos por exemplo...
HOMEM
Mãe, eu ganhei na mega sena.
MÃE (anima-se)
Pô, tu é mó sortudo hein viado?

3.
HOMEM
Mãe, ganhei na mega sena!
MÃE (como quem perdeu a memória)
Quem é você?
HOMEM
Mãe, pára de brincadeira!
MÃE
Mãe?
HOMEM
Ganhei mãe, a mega sena!

MÃE
Eu sou mãe?
HOMEM (desesperado)
Alguém ajuda!

4.
HOMEM
Mãe, eu preciso te contar uma coisa muito séria!
MÃE
O que meu filho?
HOMEM
Eu estou com câncer.
MÃE (chocada)
O que?
 HOMEM
Sacanagem, eu ganhei na mega sena!

Mãe fica puta.

5.

HOMEM
Mãe, eu ganhei! Ganhei na mega sena!
MÃE ( saca um revólver)
Cala a boca, perdeu perdeu, passa esse bilhete agora porra! Quer morrer?

6.
HOMEM
Mãe, eu ganhei na mega sena!
MULHER
Sei, e a faculdade? Nada né?

7.
HOMEM (pulando de alegria)
Mãe? Eu ganhei na mega sena porra!

Mãe cai morta.

8.
HOMEM (eufórico e feliz pulando)
Ganhei na Mega sena!
MULHER (eufórica e feliz, pulando junto)
E eu tenho um tumor nos ovários!

9.
HOMEM
Mãe, eu ganhei na mega sena!
MÃE ( olhando a tv atentamente)
Peraí, só um segundo que o Dodô vai bater um pênalti. Putz, na trave!

10.
HOMEM
Mãe, eu ganhei na mega sena...

MÃE vira-se e enforca o filho até ele cair no chão e morrer.


HOMEM (agonizando)
Socorro!
MÃE
Eu vou pra Grécia sozinha Otávio, sozinha!

11.
HOMEM
Mãe, eu ganhei na Mega Sena!
MÃE
Que bom filho, joga na loteria agora.

12.

HOMEM
Mãe, ganhei na Mega sena!
MÃE (chora)
Eu não acredito! E o projeto BBB 11, você vai jogar todo no ralo! Seu inútil!

13.
HOMEM
Mãe, ganhei na Mega sena!
MÃE
Ótimo filho, agora investe no Clube da Cena.

14.
HOMEM
Mãe, ganhei na Mega sena!
MÃE
Filho! Não acredito! Estamos ricos! Toma, come essa maça aqui.

Homem morde a maça.

MÃE (falando com voz de neném)
Mas me conta, cadê o bilhete premiado di mamãe?
HOMEM (mostra o bilhete)
Ta aqui mãe
MÃE
Meu Deus, que orgulho, de você...

Homem começa a passar mal e morre com a maça envenenada. Mãe dá uma risada maquiavélica. A luz vai baixando lentamente, enquanto entra uma voz gravada, em off.


OFF ( já com o palco apagado)
E atenção para os números sorteados da Mega Sena, concurso número 1167.
Os números são 4, 9, 24, 37, 48, 57.

A luz acende. HOMEM e MÃE estão de mãos dadas, torcendo, com um bilhete em mãos. Desanimam.


HOMEM
É... Não foi dessa vez...
MÃE
Poxa, nem um numerozinho acertamos.
HOMEM ( choroso)
Saco...
MÃE
Filho, não fica assim. Dinheiro não é tudo.
HOMEM
É, não trás felicidade.
MÃE
Exatamente. Sabe o que trás felicidade?
HOMEM
O que?
MÃE
Você dá um jeito naquele seu banheiro Otávio, ta um nojo, vai lá vai!
HOMEM
Ah, mãe...
MÃE (beija-lhe a testa)
Vai filho, anda.

Homem vai saindo.

MÃE
Esse menino é o meu tesouro!


Fim

terça-feira, 13 de abril de 2010

Palhinha da sexta passada - dia 09/04/2010

“NÃO SABIA QUE NÃO PODIA MAIS VENDER DROGAS NO MORRO”

A declaração é de Darlan Barbosa, preso no Pavão-Pavãozinho, onde funciona uma UPP. Ele disse que não sabia porque saiu da cadeia há cinco dias.

Rio – O GLOBO – quinta-feira, 18 de março de 2010

SE VIRA MALANDRO de Cristina Fagundes

3 homens jogam cartas, são 3 bandidos, roupa velha, short, chinelo. Estão muito entediados. Passa senhora com roupa de piscina toda animada.
SENHORA: Fui! (cruza o palco e sai para a coxia do camarim).
HOMEM 1: Perái mãe, pronde é que tu vai?
SENHORA: Pra hidroginástica.
HOMEM1: Pra onde?
SENHORA: Pra hidroginástica.
HOMEM1: Que porra é essa agora?
SENHORA: è a UPP.
HOMEM1: Que que tem?
SENHORA: A Policia Pacificadora agora ta oferecendo hidroginástica pra gente aqui no morro meu filho.
HOMEM1: ah é? Onde?
SENHORA: Na praça central, olha aqui. (mostra um panfleto). E não é só isso não, tem um monte de atividade, olha só, tem futebol de salão, danças folclóricas, alemão...
HOMEM1: (Sobressaltado com a palavra alemão que significa policia ) Alemão?!
SENHORA: É e balé também olha aqui, se vc quiser se matricular vc...
HOMEM1: Que porra é essa? Isso é polícia ou é clube?
SENHORA: E eles são tão preparados, olha aqui (mostra um panfleto) quem dá a aula de hidroginástica é o cabo Vasconcelos, formado em educação física na UFRJ com pós-graduação em percussão afro-cubana, gente que policia né?
HOMEM1: Ai, mãe, tu num ia visitar o Darlan lá na cadeia?
SENHORA: Eu não.
HOMEM1: Que isso mãe, o Darlan é teu filho. Sangue do teu sangue.
SENHORA: Ah, tenha dó, jaceilton.
HOMEM1: Tu num vai visitar ele pq mãe? Posso saber?
SENHORA1: Ah,meu filho, mó mico né? (Imita debochando o filho preso): Ai, eu num sabia que num pudia mais vender droga... eu não sabia... porra fala sério!
HOMEM1: Po mãe, mas como é que ele ia saber? O Darlan tava preso.
SENHORA1: Ah, é? Mas vc num tava. Vc não avisou a ele por que?
HOMEM1: Po mãe, eu nem sabia que a upp tinha chegado lá no Pavão.
SENHORA1: Vcs tem que ser mais ligados pô, o morro mudou. Sacou? O bagulho agora é outro. Agora vcs ficam aí dando mole pra cojaque... Eu é que não vou lá. Filho meu não é Mané não. Vou na hidro, Fui. (cantarola) Cabo Vasconcelos, já to innnnndo...!! (sai)
HOMEM1: Peraí! Mamãe. (mas ela já saiu – fala pros comparsas) Caramba agora até a minha mãe.
HOMEM3: Aí patrão, eu não queria falar não mas... eu bem vi a Dona Jurema outro dia dedurando o Ratazana no disque denúncia.
HOMEM1: Ai, rapaziada, pra mim chega valeu? Esses UPP aí bundão tão pensando o quê? Aqui não é a casa da mãe Joana não meu irmão. Aqui é a favela! Vamos lá nessa porra e vamos dar um exculacho nesse cabo Vasconcelos e vai ser agora. Vambora cambada. (NINGUÉM SE MEXE). Simbora porra! (NINGUÉM SE MEXE) Ih, qual foi?
HOMEM2: Ai, Chinelão, tu sabe que nós é irmão que nós ta junto contigo pro que for...
HOMEM3: Podes crer nos é parcero mermo e tamo contigo nessa luta mas é que esse cabo aí...
HOMEM1: Que que tem?
HOMEM2:... esse é o cabo é o da aula de caratê...
HOMEM1: Foda-se, mermão, eu sou sujeito homem, tem medo de cabo não. Que que há?
HOMEM3: Diz que o cara é faixa preta ta ligado?
HOMEM1: Po mesmo assim.
HOMEM3: Quarto Dan e o caralho.
HOMEM1: (cada vez menos convicto) mesmo assim.
HOMEM2: O cara é ninja meu irmão.
HOMEM1: (pensa melhor- tosse) a gente chama reforço então. Cadê aquele avião forte, que faz as entrega pra gente, o Bigorna?
HOMEM2: Então, isso que eu to querendo dizer, o Bigorna e o Machadão tão sendo os monitor dele nas aulas de caratê.
HOMEM1: Porra essa UPP ta sufocando geral! ta foda mermão, o políça chata! Tomá no cú! (fica andando agitado) Temo que fazer alguma coisa. Me dá uma branquinha aí o Chulé.
HOMEM3: Tem mais não patrão.
HOMEM1: Num to falando pra entrega não to falando pra consumo porra, vamo cheirar uma branquinha e vamos resolver essa parada é agora.
HOMEM3: Tem não chefia, acabou.
HOMEM1: Então vamos fumar um pra ver se a gente tem umas idéia.
HOMEM3: Num tem não patrão, acabou o bagulho geral.
HOMEM1: Então me dá um cigarro.
HOMEM3: Tem não. Tamo na lona.
HOMEM1: (tem uma idéia) Já sei! Vamos ser malandro, a gente não tem, mas a gente finge que tem. Vamos soltar fogos e fingir que chegou carregamento!
HOMEM2: Tá proibido. Fogos agora só no São João.
HOMEM1: Então vamos dar tiro pro alto, me dá um fuzil aí.
HOMEM2: Só sobrou essa faca. (dá uma faca de manteiga). (decepção)
HOMEM1: Os caras do governo pensaram em tudo, botaram uma polícia que mora no morro,sufocaro as droga, acabaro com os crime, eles pensaram em tudo mermo... Mas num pensaram na gente não? E a gente que é traficante a gente faz o quê? A gente faz o quÊ agora com essa pôrra de UPP? Fica jogando carta? Eu sou sujeito homem, porra, nascido e criado no morro, ralei pra caralho para chegar até aqui, pensa que foi fácil, maluco tudo quereno a minha cabeça, querendo ta no meu lugar. 20 anos no crime e agora querem me deixar sem emprego? Essa gente num tem coração não? Eu tenho talento pô. E eu só sei fazer isso. E agora? Como é que vai ser? Eu tenho 5 mulher para sustentar põxa... (eles ficam chateados pensando nessa “injustiça” – tempo).
HOMEM3: E se a gente chamasse a Comandante lá da UPP pra conversar?
HOMEM1: Ainda por cima botaram mulher no comando dessa porra, que é para humilhar mermo.
HOMEM2: Já sei, vamos dar uma prova de força pra mostrar que quem manda no morro ainda é a gente!
HOMEM1: Boa, Formiga! É isso que a gente precisa. É o seguinte. Vamos pegar aquele maluco magrinho que dedurou o meu irmão e vamos mandar ele pro microondas.
HOMEM3: Ai, chefia, ta ruim.
HOMEM1: Qual foi, o magrinho ta com proteção da UPP?
HOMEM3: não, é que o microondas virou uma padaria. Ordem da UPP.
HOMEM1: Como é que tu sabe?
HOMEM3: (sem graça) É... ah, eu fiquei sabendo...
HOMEM2: (dedura) Aí patrão, o Picadinho ta usando o bagulho da INTERNET sem fio lá na UPP.
HOMEM1: Qual foi Picadinho, tu ta virando Alemão também, ta se bandeando?
HOMEM3: Né não patrão. É que como a gente num ta podendo descer, daí eu achei que podia ser bom pra gente ispioná melhor os cara.
HOMEM1: Fica ligado hein Picadinho. (muda de assunto) Aí, vou lançar a parada. Nós vamos fazer uma letra de funk contando os podre todo da UPP...
HOMEM2: Mas eles não num fazem nada errado chefia.
HOMEM1: Foda-se vamo inventar então, vamos dizer que eles tão comendo criancinha, que tão roubando dentadura sei lá, vamo pixar os cara geral, daí a gente paga um MC pra tocar isso no baile no sábado. Sacou?
HOMEM3: Dá não. O cabo Djavan é que promove os bailes agora. Agora só toca se o cabo Djavan gostar.
HOMEM1: Isso é censura caralho!
HOMEM3: E ele só gosta de música educativa.
HOMEM1: Agora ele se fudeu que a rapaziada do funk vai detonar ele!
HOMEM2: (discorda)Ts Ts! A rapaziada aprovou as letra educativa geral. Tem gente passando no vestibular só por causa das letra educativa do cabo Djavan. (Canta trecho em ritmo de funk) : “2 mais 2 são 4, 3 mais 3 são 6 acertar a tabuada é tarefa de vocês!”
HOMEM1: Já to ficando puto com essa poliça Poliana! UPP – Puliça Poliana! Puta que o pariu!
HOMEM2: Calma Chefia.
HOMEM1: Calma é o Caralho. Chama a tua irmã aí pra me fazer uns cafuné.
HOMEM2: Então...(cheio de dedos) A Jucilene mandou te avisar que não pode mais fazer cafuné no patrão porque ela agora ta fazendo cafuné num outro aí.
HOMEM1: Como assim? Quem é esse cara?
HOMEM2: Então... A Jucilene entrou na hidroginástica também... e aí né...
SILÊNCIO CONSTRANGEDOR – ELA ESTÁ COM O CABO VASCONCELOS
HOMEM1: (tempo – muito puto) Até quando vai durar essa merda dessa UPP?
HOMEM3: Ah, pelo menos até 2016. Eles tão abrindo vaga na Academia de Policia chefia. Eles disseram que querem mais 3.500 policiais nas UPP até o final do ano.
HOMEM1: Tu viu isso quando?
HOMEM3: Hoje de manhã, lá na internet. As inscrições começam hoje.
HOMEM1: Hum. 3.500 policias só pras UPPS?
HOMEM2: (achando muita gente) Porra...!
HOMEM1: Vambora Cambada, borá! Chegou a hora de agir!
HOMEM2: Qual foi patrão?
HOMEM3: Vamos fazer o quê?
HOMEM1: Vamos se inscrever nessa porra dessa Academia de POliça e vai ser agora! Vamos ser UPP geral mermão! UPP desde criancinha! Bora! Bora!
(musica de morro – eles saem – fim)

Vídeo da cena

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LIG LIG CHINA LÁ! Larissa Câmara


MANCHETE: MENDIGO CHIQUE
Sem-teto é eleito o homem mais cool da China.  O homem mais chique da China é um mendigo.  Brother Sharp em quatro, momentos: peças coordenadas e, entre as preferências roupas femininas.
ELA – O GLOBO – sábado, 20 de março de 2010

PERSONAGENS

Fátima Bernardes E William Bonner um pouco mais velhos e sedutores.
Brother Sharp – o homem mais cool da China.


A ação acontece no estúdio do jornal nacional.

Antes do jornal começar.  Fátima Bernardes E William Bonner estão no estúdio e o que eles falam pode ser ouvido.

FÁTIMA: (num suspiro) Ah, estou tão feliz hoje!

WILLIAM: Que bom, Fátima!

FÁTIMA: Sabe por que eu estou feliz, William?

WILLIAM: Porque hoje é sexta-feira, Fátima.

FÁTIMA: Não, William. Eu não estou feliz porque hoje é sexta-feira.

WILLIAM: Então você prefere as 5as? Você é uma mulher de 5ª., Fátima? (faz um gesto tentando ser engraçado)

FÁTIMA: Você é um homem de 2ª., William. (pausa) Você sabe que dia é hoje?
                                                                                                                       
WILLIAM: É Claro que eu sei, Fátima!

FÁTIMA: Então me diga que dia é hoje, William?!

WILLIAM: (Olhando para o relógio) 9 de abril de 2025, Fátima.

FÁTIMA: William, você esqueceu nosso aniversário de casamento!

(Fátima vai chorar William tenta consolá-la. Entra vinheta do Jornal Nacional. O jornal começa)

WILLIAM: Boa noite!

FÁTIMA: (quase não consegue falar) Boa noite. (coloca as mãos nos olhos para conter as lágrimas)

WILLIAM: Luciana Gimenez,

FÁTIMA: Uma mulher que deu certo!

WILLIAM: Casa com mais novo dono de emissora. E após a cerimônia fez a seguinte declaração para imprensa.

FÁTIMA: Sou super pop. Estou muito feliz. Plim-plim – Satisfaction!

WILLIAM: Ana Maria Braga comenta o fato:

FÁTIMA: Sei cozinhar já posso casar. (pausa) E o Louro José replica a declaração:

WILLIAM: Não é porque você sabe cozinhar que alguém vai querer comer... VOCÊ.

Fátima chuta William debaixo da mesa. William vai para frente.

FÁTIMA: Cientistas pesquisam remédio que pode curar Alzheimer.

WILLIAM: As pesquisas apontam um medicamento eficaz no combate à perda de memória.

FÁTIMA: (entre dentes) Que interessante, William, você devia experimentar.

Riso nervoso de William

WILLIAM: Ronaldo ex-jogador de futebol confunde Júnior da dupla Sandy e Júnior com travesti.

FÁTIMA: A ex-apresentadora do SBT Maysa é presa por roubar playstation de loja de departamento e foi detida por portar drogas pesadas.

WILLIAM: Salgadinhos elma-chips, ki-suco e fanta uva.

Pausa

FÁTIMA: Uma história de superação.

WILLIAM: Brother Sharp, ex-mendigo nas ruas de Ningbo, na China. Se transformou no último grito do stylist.

Brother Sharp aparece lindo e fashion no estúdio. Fátima Bernardes fica enlouquecida com ele. Brother Sharp desfila enquanto eles falam.

FÁTIMA: Uau! Brother Sharp realizou o sonho da casa própria morando em caixas de papelão.

WILLIAM: O criador do homeless style. É um dos homens mais ricos do mundo. Sua última coleção Recria acessórios em sacos de lixo. Peças especiais vêm com manchas de gordura da própria cozinha do artista.

FÁTIMA: Ai, que vontade de comer um pastel Chinês.

WILLIAM: Fátima?

FÁTIMA: (levantando do local onde apresenta e caminhando na direção do ex-mendigo. Enfeitiçada pela beleza do chinês) Fui a China lá, ver o quer era China lá e todos eram china lá. Lig Lig China lá...

WILLIAM: Fátima?

FÁTIMA: Eu preciso dizer uma coisa para você. Eu sempre odiei essa mechinha do seu cabelo!

Fátima caminha em câmera lenta como num sonho e se aproxima do ex-mendigo.

FÁTIMA: Eu pensava que os chineses eram todos iguais. Você é tão diferente. (pausa) Parece até... japonês.

Brother Sharp olha para ela e fala em fonemol chinês

FÁTIMA: (seduzida) Sobá, Yakisoba, (sensual) Yakimeshi.

OS dois olham se ternamente. Seguram as mãos e saem. Leves e felizes como num comercial de Molico.

WILLIAM: Apresentador é desmoralizado em rede nacional (piada sem graça com a palavra sobrei)  “Soborei”. Boa noite!

Vinheta jornal nacional.

FIM