Mais uma semana do Clube da Cena Unplugged. Uma noite completamente inspirada nas composições de Rita Lee.
Abaixo uma pequena palhinha das cenas dessa noite - sexta, 5/08!
QUEM ELE PENSA QUE É, de Regiana Antonini – música Esse tal de Roque Enrow
com Bia Guedes e Mariana Costa Pinto
direção de Paulo Mathias Junior
EROS UMA VEZ de Ivan Fernandes – música Cor de Rosa Choque
com Rita Fischer e Zé Guilherme Guimarães
direção Cacau Berredo
DESCULPE O AUÊ, de Cristina Fagundes – música Desculpe o Auê
com Renata Tobelem e Luis Lobianco
direção Miguel Thiré
MULHER BRASILEIRA de Renata Mizrahi – música Pagú
com Priscila Assum e João Rodrigo Ostrower
direção Susanna Krugger
VAMPIRO MUTANTE de Carla Faour – música Doce Vampiro
com Flávia Espírito Santo e Cláudio Amado
direção Breno Sanches
TE PEGUEI de Diego Molina – música Flagra
com Alex Nader e Renato Albuquerque
direção Fernando Melvin
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E as cenas escolhidas pelo público como as favoritas foram:
Quem ele pensa que é, de Regiana Antonini e Eros uma vez, de Ivan Fernandes.
Clique aqui para ver a cena Quem ele pensa que é no youtube.
E clique aqui para ver a cena Eros uma vez no youtube.
Abaixo, os textos na íntegra para vocês acompanharem.
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EROS UMA VEZ
De Ivan Fernandes
(Eros e Psiquê em sua noite de amor. Estão nos momentos imediatamente seguintes ao êxtase; no momento “cigarrinho”, jogados na cama, arfando, com um sorriso aberto.)
P - Eros?
E - Oi, coração?
P - Você me ama?
E - Claro que sim.
P - Tem certeza?
E - Tenho.
P – Mas tem certeza como?
E - Sei lá. Tendo, ué.
P - E se eu fosse outra? E se eu fosse Afrodite?
E - Mas Afrodite é minha mãe!
P - E por isso você acha que ela é melhor que eu?
E - Não! Quem disse isso?
P - Você!
E - Eu? Não! Quando?
P - Disse sim, você acabou de dizer que acha ela melhor do que eu.
E - Impossível! Eu acho você a melhor de todas!
P - De todas? De todas as mulheres da Grécia? Como é que você pode saber disso?
E - Eu sou Eros, Psiquê, esqueceu? Eu conheço todas!
P - Então você acha que eu sou a melhor?
E - Acho.
P - Tá vendo? Você acha, não tem certeza.
E - Caralho.
P - E se você nunca tivesse me encontrado?
E - Como assim?
P- Você ia estar dizendo essas mesmas coisas pra outra. Como você é cara de pau, hein?
E - Quer saber, não vou falar mais nada. Depois da nossa noite de amor mitológica você me vem com DR?
P - Eu não quero DR. Só quero saber o que você sente. Isso é pedir demais?
E - O que eu sinto? Você acha que eu iria fazer tudo que fiz por você, brigar com todos os deuses, resgatar você da morte, se não sentisse nada?
P - Mas por que você fez isso?
E - Porque eu amo você!
P- Quem disse?
E – Eu!
P - Como você sabe? O que diz isso pra você?
E - Meu coração.
P - Ele diz “É isso aí, Eros, essa é a mulher da sua vida”?
E - É isso que ele diz.
P - E você acredita em tudo que ele diz?
E - Nem sempre. Mas agora sim.
P - E o que ele tá dizendo agora?
E - Que essa é uma conversa idiota.
P - (levanta, puta) Tá vendo? Por que é assim sempre que eu tento conversar sério com você?
E - Que é que tá pegando, Psiquê?
P - Eu quero terminar, Eros! Não posso ficar com um cara que não me compreende. (vai catando suas coisas)
E - Mas você atravessou tantos sacrifícios pra estar aqui! E agora que nós finalmente estamos juntos, você quer ir embora?
P - A culpa é sua! Você não me dá escolha!
E - Mas eu não fiz nada!
P - Justamente! Você tá me vendo ir embora e não faz nada pra impedir!
(sai, chorando. Ele vai atrás dela)
E - Psiquê! Peraí! Vamos conversar...
P - Você tem ignorado todas as minhas necessidades emocionais. Eu não aguento mais!
E - Desculpa benzinho, eu não sabia.
P - Eu só quero estar com alguém que me ame de verdade. É pedir muito isso?
E - Mas eu te amo de verdade.
P - Mas você não demonstra! Sei lá, parece que tudo eu preciso falar pra você entender. Se você me amasse mesmo, me entenderia sem eu precisar falar, sem eu precisar pedir, porque amor é isso, amor é sintonia, entende?
E - Entendo. Sintonia. Eu prometo que eu vou mudar, benzinho.
P - Jura?
E - Juro.
P – Jura mesmo?
E – Juro mesmo.
P – Então vamos acabar com essa discussão?
E - Vamos. (pausa)
P - Como é que se acaba com a discussão, Eros? Será que até isso eu vou precisar falar?
E – Psique, cala a boca e me beija.
P - Ai! Meu amor! Meu amor!
(beijam-se. Música. Transição de luz. Estão novamente no momento cigarrinho.)
P - Então amor. Você me ama?
E - Oi?
P - As coisas ainda não tão muito claras pra mim. Tem certeza que me ama? (Eros está olhando sem acreditar) Mas tem certeza como?
E - Quer saber? Cansei! Fui! Vou procurar a Helena de Tróia que é menos complicada! (sai)
P - O quê? Já vai! Eu sabia! Usou e agora joga fora! E aquela conversa toda de que me amava? Você não passa de um canalha igual todos os outros! Vai, vai voando por aí conquistar outra desprevenida! (se joga no chão, chorando, no melhor clima “atrás da porta”) Ninguém entende as mulheres! Ninguém! (pega um telefone) Alô, Medeia? Amiga, você não sabe o que o Eros fez... o quê? O Jasão te largou? Que canalha! Ai, amiga, eles são todos assim... Vem pra cá, vamos chorar juntas, botar um disco do Chico na vitrola... Ah, hoje não é dia do Chico? É Rita Lee? Rock’n’roll? Vingança? Grande idéia! Mas você vai fazer isso mesmo com o Jasão, Medeia? Como você é má! Adorei! Vou pensar em alguma coisa parecida! Ai, amiga, foi ótimo conversar com você. (desliga) Isso merece até uma celebração! (pega uma garrafa de champanhe cor de rosa) Por isso não provoque, Eros... por que de hoje em diante, mulher alguma vai oferecer aos homens o presente do amor, sem o turbilhão da vingança. Eu, Psiquê, inauguro para todo o sempre a Guerra dos Sexos! (estoura a rolha da garrafa) Um brinde! E música!
(música: Por isso não provoque / É cor de rosa choque)
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QUEM ELE PENSA QUE É? - de Regiana Antonini
( inspirada na música “ESSE TAL DE ROQUE ENROW” – Rita Lee)
EUVIRA (MÃE) E CAROL (FILHA) SENTADAS EM DUAS POLTRONAS DE UMA SALA DE TERAPIA. FALAM COMO SE ESTIVESSEM EM FRENTE A UM TERAPEUTA.
EUVIRA – Então, doutor, Minha filha Caroline...
CAROL – Carol, mãe! Só Carol, please!
EUVIRA – Agora veja bem a situação de uma mãe: a gente passa nove meses esperando uma criatura sair de dentro da gente, prepara quarto, bercinho, enxoval, quebra o pau com o marido, com a sogra, por conta do nome que a gente quer dar pra criança. Então depois de muito debate, consegue-se a aceitação de todos: Caroline! Um nome lindo, nobre! Nome de princesa! Aí, o tempo passa e essa criatura ingrata cresce e vira “Carol”! Carol não é nome, é sigla: Companhia de adolescentes rebeldes organicamente loucas!
CAROL – Ai, mãe! Vai começar!
EUVIRA – Sim, vai começar sim! Estamos aqui pra isso! Pra começar uma terapia, uma constelação familiar! Sim porque dialogar com você tá difícil pacas!
CAROL – “Pacas”? Hellô! De que planeta você veio?
EUVIRA – Não foge do assunto, não, menina! Eu disse que tá muito difícil conversar com você!
CAROL - Claro, você não me entende! Não me escuta! Não leva a sério meus problemas! É sem noção total!
EUVIRA – É que você só fala num idioma à parte: o carolêz! (IMITA) “Mãe, aí demorô: tô indo pra uma parada tipo raive, com a galera da “capú”, antes vamo bater um rango vegê. Fica tranks que a coisa é irada. Tô indo com o Roque, formô?” Não, não formou, não formou uma frase! E tem mais: agora, doutor, ela só fala desse tal de “Roque Enrow”!
CAROL – É só Roque, mãe!
EUVIRA – Minha filha, só existem 2 possibilidades para um Roque, ou ele é Santeiro, ou é Enrow! O primeiro não se aplica a ele, porque santo ele não é, nem nunca será, portanto sobrou o “Enrow” que vem num pacote escrito: “sexo, drogas e roque enrow”!
CAROL – Ai, cara, você é muito doida mãe!
EUVIRA – Eu? Imagina! Eu procuro estar por dentro, sabe, Doutor,
dessa nova geração! Faço de tudo, juro! Mas minha filha não me leva a sério, doutor! É cheia de mistério! Fala em código quando tá no telefone! Ela dança o dia inteiro e só estuda pra passar! E já fuma com essa idade, Doutor! Ela não pensa no futuro! Ela nem vem mais prá casa, Doutor! Só fica enfurnada na casa desse tal de Roque Enrow!
CAROL – É só Roque, cara! Que saco!
EUVIRA – E o pior não é isso não! Ela não teve a pachorra de levar esse rapaz lá em casa! De me apresentar pra ele! Então quando ela fala desse tal de Roque Enrow, eu penso: quem é ele? Uma mosca, um mistério? Como será a cara desse rapaz?
CAROL – Claro, seu eu levar o Roque lá em casa, você vai encher o pobre coitado de perguntas! Ele vai ficar boladérrimo! Mas meu pai conhece ele, tá legal?
EUVIRA – Tá vendo doutor? O pai dela conhece ele! Deve ter fumado muita maconha com ele, sim porque o pai da Maria Caroline é maconheiro e dos bons! Fuma um baseado de duas em duas horas, parece até remédio homeopático!
CAROL – Mãe, meu pai é que tá certo! Você fala pelos cotovelos! Parece até que engoliu uma arara!
EUVIRA – Tá vendo doutor? É assim que ela retribui o amor e o carinho que sempre dei a ela! Aliás, podemos fazer a cena? Esse troço de constelação familiar não é assim? Tem a ceninha baseada na gente, aí a gente assiste, debate e depois chega a uma determinada conclusão?
ENTRAM 2 MULHERES. UMA VESTIDA IGUAL A MÃE, COM UM CRACHÁ ESCRITO “MÃE” – VAMOS CHAMÁ-LA DE EUVIRA 2. E OUTRA COMO FILHA, TAMBÉM COM UM CRACHÁ ESCRITO “FILHA” – VAMOS CHAMÁ-LA DE CAROL 2.
EUVIRA – Ah, tá! As mocinhas já estão aqui! Ela sou eu? Impressionante como ela se parece comigo...
ATRIZ MÃE – Vocês responderam a uma série de perguntas...
ATRIZ FILHA – A partir disso, criamos uma cena, que poderia com certeza fazer parte do cotidiano de vocês...
ATRIZ MÃE – Pedimos que vocês assistam a cena para depois debaterem a mesma com o doutor...
EUVIRA – Ai, que maravilha!
CAROL – Ai que saco!
EUVIRA - Podem dar o terceiro sinal!
CAROL 2 DEITA-SE NUMA CAMA E EUVIRA 2 ENTRA CHAMANDO POR ELA.
EUVIRA 2– Maria Carolina (VÊ A MENINA DORMINDO) Dormindo?
CAROL 2 – Tô com sono...
EUVIRA 2 – “Sono”? Uma menina de 14 anos de idade, uma “DE LIMA E SILVA” não pode ter sono no meio da tarde!
CAROL 2 – Mas, mamãe, eu estou de férias!
EUVIRA 2 – Tá é chapada, isso sim! Não se esqueça que hoje é o dia do teste pra você entrar pro Colégio Santo Inácio! Sua vida vai mudar! (EUVIRA PEGA UMA ROUPA E JOGA EM CAROL). Toma: veste isso.
CAROL 2 – Mas isso é muito cafona! (VESTE)
EUVIRA – (INTERROMPE A CENA) Viu, doutor? Ela odeia meus vestidos!
CAROL – Cala boca mãe! Olha o mico!
EUVIRA – Que mico? Eu, hein! É que é bom esclarecer pro doutor que aquela roupa não era cafona, era uma roupa de grife, clássica, só isso! Desculpa aí!
EUVIRA 2 – (VOLTA P/CENA) E depois, você está lind... (T) Tá medonho! Tira! Também, seu corpinho não tá ajudando... quantos abdominais você fez hoje?
CAROL 2 – (FALA BAIXO) Nenhum....
EUVIRA 2 – Não escutei! Projete sua voz para o núcleo sonoro do quarto!
CAROL 2 – (MAIS ALTO) – Eu não fiz nenhum...
EUVIRA 2 – É por isso que você está assim, acima do peso: gorda!
EUVIRA (INTERROMPENDO NOVAMENTE A CENA) – Com licença! Eu preciso deixar claro doutor, que sempre fui muito sincera com a minha filha! Sim porque o mundo de hoje é um mundo cão, não é? Não tem espaço pra obesidade! Minha filha estava enorme nessa época! Emagreceu 1 kilo e oitocentos gramas na marra! Hoje tá linda! Um biscuit! Pode continuar! Desculpa aí!
CAROL 2 (VOLTA P/CENA) – Mamãe, eu já tô magra o suficiente...
EUVIRA 2 – “Nunca se está suficientemente magra, nem suficientemente rica”, entendeu? Você precisa fazer ginástica! Correr! Nadar! Comer mato, fazer fotossíntese! E obviamente passar no teste para entrar pro Colégio Santo Inácio! Conviver com pessoas educadas, de boa família, com objetivo na vida!
CAROL 2 – Ah, não mãe! Eu não quero entrar pra esse colégio, não quero fazer teste nenhum! Tô de férias e vou ficar de bobeira....
EUVIRA 2 – Quem fica de bobeira, de bobeira permanece! Veste essa! (JOGA UM TAIÊR NELA)
CAROL 2– (VESTE DO LADO CONTRÁRIO) – Mamãe, eu não sei vestir esse treco aqui! Tá certo assim?
EUVIRA 2 – Não! Nem o blaiser, nem essa sua cara de muxoxo verde. Bota um sorrizinho nessa sua carinha de nabo, porque uma adolescente candidata a uma vaga nesse colégio tem obrigação de ser simpática! (CAROL DÁ UM SORRISO AMARELO) Vamos aos sapatos! (ESCOLHE E JOGA NELA) – Esse!
CAROL 2 – Mas esse salto é maior que eu!
EUVIRA2 – Sim, você é uma tampa! Uma anã! Puxou a família do seu pai, porque eu, na sua idade era alta e sabia muito bem o que eu queria! Ser rica! Milionária!
CAROL2 – Então, você casou com meu pai por dinheiro? Oh... Você nunca amou papai... Eu sinto isso...
EUVIRA 2 – E eu sinto muito! Ah, toma cuidado, porque você pode ter herdado por parte dele uma certa inclinação ao vício! Sim, porque a preguiça a gente sabe que você herdou!
CAROL 2 – E o que será que eu herdei da senhora?
EUVIRA 2 – Nada. No futuro, quiçá, os meus sapatos. (PEGA BACIA C/ GELO) Vamos acordar!! Você precisa estar atenta durante a provinha! Enfia sua cara aqui!
CAROL 2 – Aí? Mas, tá cheio de gelo... eu tô com frio!
EUVIRA 2 – E eu com pressa! Anda menina! (PEGA A CABEÇA DELA E ENFIA) Um dia, você vai me agradecer!
EUVIRA (GRITA INTERROMPENDO) Parei! Não, não! Não foi bem assim! Minha filha, Caroline, enfiou a cara na bacia porque entendeu que era o melhor pra ela! Do jeito que vocês fizeram, parece até que eu sou uma mãe louca e cruel!
CAROL – Mas é exatamente isso que você é: uma mãe louca e má! Você não tem sentimentos nem por mim nem por ninguém! Você nunca me entendeu nem vai conseguir me entender, porque você só pensa em você! Pra mim, já deu! (SAI)
EUVIRA – Caroline! Caroline! Ca... (T) Viu doutor? O jeito que essa menina falou comigo? Sabe o que é isso? Má influência! E tudo culpa de quem? Desse tal de Roque Enrow! Mas eu vou dar um jeito nisso! Afinal, quem ele pensa que é?
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Semana do Raul Seixas
Terceira semana do Clube da Cena Unplugged. Dessa vez o compositor inspirador das cenas foi Raul Seixas.
Abaixo, uma pequena palhinha da noite.
A REVELAÇÃO, de Carla Faour - música Gita
com Pia Manfroni e Cacau Berredo – direção Alexandre Bordallo
EU QUASE DISSE SIM, de Cesar Amorim - música Cowboy Fora da Lei
com Marcelo Dias e Thais Lopes - direção Márcio Libar
AONDE VOCÊ PENSA QUE VAI, de Renata Mizrahi - música Carimbador Maluco
com Cristina Fagundes e Jorge Neves – direção Fernando Melvin
MALUCO , BELEZA? de Leandro Muniz - música Maluco Beleza
com Maíra Kesten e Zé Auro Travassos – direção Lincoln Vargas
UM TAPA NO CHAPEUZINHO, de Ivan Fernandes - música Como Vovó Já Dizia
com Ana Paula Novellino e Marino Rocha – direção Cico Caseira
ELIXIR DO AMOR, de Cristina Fagundes - música Metamorfose Ambulante
com Alexandre Barros e Mariana Santos – direção Wendell Bendelack
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E as cenas escolhidas pelo público como as preferidas da noite, foram:
Clique aqui e assista a cena no youtube.
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Abaixo, uma pequena palhinha da noite.
A REVELAÇÃO, de Carla Faour - música Gita
com Pia Manfroni e Cacau Berredo – direção Alexandre Bordallo
EU QUASE DISSE SIM, de Cesar Amorim - música Cowboy Fora da Lei
com Marcelo Dias e Thais Lopes - direção Márcio Libar
AONDE VOCÊ PENSA QUE VAI, de Renata Mizrahi - música Carimbador Maluco
com Cristina Fagundes e Jorge Neves – direção Fernando Melvin
MALUCO , BELEZA? de Leandro Muniz - música Maluco Beleza
com Maíra Kesten e Zé Auro Travassos – direção Lincoln Vargas
UM TAPA NO CHAPEUZINHO, de Ivan Fernandes - música Como Vovó Já Dizia
com Ana Paula Novellino e Marino Rocha – direção Cico Caseira
ELIXIR DO AMOR, de Cristina Fagundes - música Metamorfose Ambulante
com Alexandre Barros e Mariana Santos – direção Wendell Bendelack
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E as cenas escolhidas pelo público como as preferidas da noite, foram:
Música: Como Vovó Já Dizia, Raul Seixas
UM TAPA NA CHAPEUZINHO
De Ivan Fernandes
A vovó em casa, com som alto (Pink Floyd). Batidas na porta.
V - Quem é?
CH – (de fora) Sou eu, vovó!
V - Espera só um segundinho. (bota um óculos escuros) Pode entrar!
(entra Chapeuzinho Vermelho)
CH - Ai, vovó, que som alto! (abaixa)
V - Que surpresa, Chapeuzinho...
CH - Mamãe pediu pra trazer esses doces.
V - Corta esse papo furado. Sei muito bem que a minha filha te manda aqui pra me espionar. Ela acha que eu não sei cuidar de mim sozinha.
CH - E por acaso sabe? Olha só, vovó, mas que bagunça essa casa! Os lençóis todos pelo chão... (começa a arrumar a casa) Isso é um perigo, se a senhora tropeça...
V - Deixa isso aí, Chapeuzinho. Amanhã a Gata Borralheira arruma. A madrasta dela liberou a pobrezinha pra fazer um bico de diarista pra mim.
CH - A senhora lembrou de tomar todos os remédios?
V - Não, minha filha, minha memória tem andado péssima, não sei o que pode ser isso.
CH - E me diga, pra que esses óculos escuros tão grandes dentro de casa, vovó?
V - Porque acabou o colírio, Chapeuzinho. Essas luzes todas fazem mal aos olhos. Mas esses doces chegaram em boa hora. Passa pra cá. (pega a cestinha e come, com larica)
CH - (farejando) A senhora deixou alguma coisa no forno? Tá um cheiro de queimado...
V - (passando spray de bom-ar) É que aqui na floresta tem muita queimada. É um absurdo. Fica esse cheiro de mato queimado. Já acabou o inquérito? Então, senta, relaxa! Destensiona, menina! Você tá na casa da vovó! Aqui é um território livre! Veja como são lindas as flores. Pare para ouvir os passarinhos. E tira esse chapeuzinho, faz você parecer uma colegial.
CH - Mas eu sou a heroína desta história, vovó.
V - Não seja besta de tirar onda de heroína, minha netinha... esse negócio de moça direita é uma canoa furada! A sua mãe foi direita a vida toda e apesar dos doces, é tão amarga... Já eu, queimei meu sutiã, fui pra woodstock e sou feliz até hoje!
CH - Por falar na mamãe, a gente estava pensando... está meio difícil pra senhora se cuidar sozinha... sabe, permanecer aqui, isolada, na floresta... por que a senhora não vem morar com a gente?
V - De jeito nenhum! Eu estou muito bem aqui, com a minha casa, minhas ervas naturais, meus amigos.
CH - Amigos? A senhora tem amigos?
V - É claro, ora. Você acha que eu estou enterrada? Estou velha mas não estou morta!
CH - Mas vovó, isso é muito perigoso. As pessoas se aproveitam dos idosos.
V - Não é bem um amigo...
CH - Como assim?
V - A gente tá... ficando...
CH - A senhora quer dizer... um namorado???
V - Calma, menina... não vamos apressar as coisas... a gente ainda tá se conhecendo, se curtindo...
CH - Mas meu Deus, o que é que os outros personagens de contos de fadas vão pensar disso?
V - Que o nosso amor é proibido e desafia todas as convenções. Como deve ser o amor de verdade.
CH - E posso saber quem é esse namorado? Ele tem alguma posição, alguma colocação? Ele trabalha?
V - Bom, ele...
CH - Ele...
V - Ele vive aqui na floresta...
CH - Um pobre! Era só o que faltava! A senhora acha que ele tá de olho em quê, vovó? Na sua casa, claro!
V - Ele é boa pessoa! Quer dizer, não é bem uma pessoa...
CH - Como assim? vovó?? Não vai me dizer que a senhora...
V - É melhor você conhecer logo ele. (para dentro) Josenilton! Pode dar um pulinho aqui, meu bem!
CH - (sussurra, escandalizada) Ele tá aqui?!
V - Você não avisou que vinha!
(aparece o Lobo Mau, envolvido numa toalha, também de óculos escuros)
L - Salve, salve, Chapeuzinho! Hum! Será que sobrou algum doce? (vasculha na cesta)
CH - Mas... mas... é o... o Lobo! O Lobo Mau!?
V - Eu te disse, Josenilton, esse preconceito te acompanha onde você vai. José Nilton é um lobo bom, trabalhador, minha netinha! Ele me ajuda tanto. Ontem, mesmo, tinha uma pantera rondando a casa... pois Josenilton deu um tapa na pantera e afastou o perigo!
CH - Vovó... a senhora se juntou ao meu... ao meu pior inimigo?
L - Escute, Chapeuzinho, eu sei que temos um passado, mas a vida continua, você precisa superar isso...
CH - Cale essa boca, seu conquistador imundo! Nem a minha avó você alivia?
V - Não fale assim, minha filha. Uma mulher como eu, na idade da loba, precisa mesmo de um par.
CH - Mas... vovó... nós somos exemplo para milhares de crianças!
V - Pois bem, criançada! Escutem a dica da vovó: é melhor se entender com os lobos do que passar a vida sonhando com os príncipes! Não viram o que aconteceu com a Bela Adormecida? Esperou mais de cem anos!
(batem na porta. Chapeuzinho abre. Entra o caçador)
CA - Tudo bem por aqui, vovó? Ouvi música muito alta! Tem alguma coisa queimando no forno?
V - Só faltava essa! O chato do caçador!
L - Ih! Sujou!
CH - O lobo está ali, seu caçador! Seduzindo uma pobre e indefesa velhinha!
V - Opa! Indefesa não! Eu fui pra Woodstock! Eu queimei meu sutiã! Eu tenho perfil no Facebook! Quem manda nessa história sou eu!
CH - Opa! Eu sou a principal! É o meu nome que está no título! É o meu chapeuzinho que está a venda nas lojas!
V - Você não é mais criança, menina! Para de falar como se apresentasse um programa infantil! A sua mãe te trata como se você fosse uma bonequinha guardada numa caixa! Você vai acabar igual a ela, entupida de botox e prozac. Tira essa capinha ridícula e vai cair no mundo! Ouve o que a sua vó diz!
CA – (para o Lobo) Você não acha que eu tenho que tomar uma atitude?
L - Que é isso, cara? Vai se meter no meio de duas mulheres brigando? Quem vai acabar apanhando é você!
V - Por exemplo, você, Caçador! Em vez de ficar perseguindo o pobre Josenilton, porque não convida a Chapeuzinho pra sair?
CA - Eu?
CH - Mas vovó!
CA - Eu sempre tive admiração por Chapeuzinho, mas...
V - Então pronto! Tem uma boate excelente no pântano dos aligators!
CH - Mas o pântano é sinônimo de música ensurdecedora, de drogas, de depravação!
V - Então, vocês vão se divertir muito por lá! (bota os dois pra fora. Para o Lobo) Enfim, sós!
L - Ahn, amorzinho, sabe o que é, esta confusão toda me deixou tão cansado! Será que sobrou algum doce?
V - Já cansado? Mas você é tão jovem! Ainda temos a noite toda pela frente!
L - A noite toda? Mas fazem dois dias inteiros que a gente não sai daquele quarto! E sabe o que é, hoje tem aquele jogo e eu...
V - Não acredito que você vai me trocar por futebol depois de dois diazinhas de sexo apressado!
L - É que hoje é a final! E eu apostei no time dos urubus!
V - Apostou? Com que dinheiro? Não vai me dizer que foi com a prestação da casa!
L - Não se preocupe, amor, eu recupero, o jogo tá moleza pros urubus! (sai)
V - Josenilton! Volte aqui! Josenilton! Não! (cai em prantos) Eu fui pra Woodstock, eu queimei meu sutiã, eu marchei pelas diretas, mas tem uma coisa que não muda: é dos canalhas que elas gostam mais! (chora. Batem na porta, ela atende) E não adianta me pedir desculpa, essa foi a última vez... hein? (entra Barba Azul) Barba azul?
B - Eu estava passando por aqui, vovó, vi suas luzes acesas e pensei em convida-la para um café no pântano dos Aligators.
V - Jura? No pântano? Por que não? Me dê só o tempo de botar meu casaquinho. Lá faz frio!
B - Ora, para isso eu tenho braços grandes e fortes!
(ela ri, encabulada, veste um casaco de couro estilo hell’s angels e se encaminham para a porta)
B - Será que tem fila na porta?
V - Ah, não se preocupe, Barba Azul. É como vovó já dizia: a fila anda!
(saem)
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ELIXIR DO AMOR de Cristina Fagundes
Cena inspirada no universo neurótico, cínico e divertido de Woody Allen.
MULHER ENTRA NUM CONSULTÓRIO, UM HOMEM ESTÁ SENTADO NUMA MESA.
MULHER: Doutor Istvan.
DOUTOR: Dona Lídia.
MULHER: Minha amiga me falou das habilidades do senhor com doenças raras. Ela me disse que o senhor utiliza métodos pouco convencionais mas que o senhor faz milagres então/...
DOUTOR: Sente-se.
MULHER: (SENTA) Obrigada. (tempo) ... bem, eu já fui a diversos médicos mas nenhum até hoje... Bom eu achei que talvez o senhor... /
DOUTOR: Abra a boca. (examina)
MULHER: (aflita e com a boca aberta) Eu preciso tanto da sua ajuda, doutor Istvan.
DOUTOR: (tempinho, ele a examina) Você tem sentido algum mal estar físico?
MULHER: Não.
DOUTOR: Sente dor?
MULHER: Não.
DOUTOR: Enjôos? Fadiga? Nada?
MULHER: (nega) Hum hum.
DOUTOR: Flatulência?
MULHER: (reluta, tímida) Só quando eu como ervilha.
DOUTOR: Ervilha? Curioso. Comigo é quando eu como feijão. Mas faz sentido... faz sentido, ervilha não deixa de ser um feijão não é?
MULHER: (achando aquele papo meio estranho) é...
HOMEM: Agora me fale sobre a sua doença.
MULHER: (toma coragem) Eu não consigo me apaixonar doutor.
DOUTOR: Hum rum... (anota num caderno) Não se apaixona...
MULHER: Simplesmente não consigo. Acho que sou defeituosa para o amor, isso, acho que eu tenho algum tipo de defeito que me impede de amar.
DOUTOR: E desde quando isso vem acontecendo?
MULHER: Desde sempre. Nunca me apaixonei.
DOUTOR: Nem na adolescência? Nenhum suspiro? Nenhum amor platônico?
MULHER: Nada. Nunca gostei de ninguém. Mas eu quero mudar doutor, a partir de hoje eu quero ser outra mulher, eu quero me apaixonar. Eu quero sentir o que é isso que todo mundo fala. Meu deus eu sou uma mulher. Deveria querer me casar, ou no mínimo já ter sofrido por amor. Toda mulher sofre por amor,mas eu não. Eu nunca! Então eu não posso ser normal, entende? Nunca derramei uma lágrima por homem nenhum. Eu tenho um coração de pedra! De pedra! O senhor tem que me ajudar! (desesperada sacode-o pela camisa).
DOUTOR: Calma Dona Lídia, calma, por favor, solta a minha gola, por gentileza sim? Isso, bem melhor.
MULHER: Mas eu posso mudar, não posso doutor? Todo mundo tem direito de se transformar numa pessoa diferente se quiser não é mesmo?
DOUTOR: Hum rum.
MULHER: Eu não quero mais ser essa mulher fria. Eu preciso saber o que é o amor Doutor!
DOUTOR: Sim, sim. Algum namorado?
MULHER: Já tive 5. Mas não gostei de nenhum. De nenhum!
DOUTOR: Algum relacionamento mais sério?
MULHER: Fui noiva de um militar.
DOUTOR: Foi?
MULHER: Fui. Não sou mais.
DOUTOR: O que houve?
MULHER: Eu não gostava dele, então achei melhor acabar.
DOUTOR: E como ele reagiu?
MULHER: Bem... mas disse que vai me matar.
DOUTOR: Te matar?
MULHER: È, ele cismou com isso.
DOUTOR: Você se sente ameaçada por ele?
MULHER: Claro. Frederico não mente. Todo homem mente, mas Frederico não. Frederico é honesto. Tão honesto que parece até mulher. Deve ser por isso que eu não gosto dele. (procura algo na bolsa) (encontra o que procurava)... Olha aqui, ó. (mostra uma arma).
DOUTOR: Que isso?
MULHER: É pra me defender dele. Frederico não mente mas é muito agressivo. Teve uma mãe repressora, coitado. Ela era dentista. (olha no olho dele – tempinho) O senhor precisa me ajudar doutor Istvan, minha amiga me assegurou que o senhor tem a cura pra tudo. Pra tudo!
DOUTOR: Por favor guarde isso D. Lídia. (ela larga a arma na mesa)
MULHER: Liberta meu coração doutor!
DOUTOR: Dona Lídia, calma, me escuta. Calma! Eu tenho algo aqui que talvez.. mas pode ser arriscado.
MULHER: Não faz mal, eu não me importo!
DOUTOR: (pega um frasco antigo e coloca em cima da mesa na frente dela) Se você tomar isso, não tem volta, você compreende o que isso significa? Essa poção não tem antídoto. Ela vai agir no seu sistema nervoso central e você vai passar por uma verdadeira metamorfose emocional, você está disposta a isso?
MULHER: Sim, por favor!
DOUTOR: (se vira de costas para pegar um papel para anotar as recomendações) Você vai ter fazer exatamente como eu mandar, é muito importante que você siga corretamente as minhas orientações porque senão ... (percebe que ela bebeu a poção) O que que você fez?!! Você bebeu isso? Você bebeu a poção?
MULHER: (tímida) bebi.
DOUTOR: Você não podia ter feito isso! E agora?
(ela começa a tossir, a passar mal). Dona Lídia. Calma! Respira, isso.
MULHER: Ai, meu coração doutor... ele tá acelerando...
DOUTOR: O que que você tá sentindo?
MULHER: Ai, uma palpitação aqui... (TEMPO - CHAMA)Doutor.
DOUTOR: Sim?
MULHER: (tempo – olhos nos olhos) Eu te amo!
DOUTOR: Ai, eu sabia! É a poção.
MULHER: Eu te amo tanto! Eu amo te amar... eu amo amar te amar...eu amo amar amar te.../
DOUTOR: Cristo! Você não podia ter bebido a poção e olhado para mim.
MULHER: Mas eu adoro te olhar, eu quero te olhar pra sempre Istvan! Vem aqui pertinho vem!
DOUTOR: Dona Lídia, presta atenção, você não me ama, isso é o efeito da poção que eu te dei, você tá me entendendo?
MULHER: Adoro esse seu botão (da camisa), ai que barriga linda, ó, você é tão másculo Istvan! Vem cá meu amor!
DOUTOR: Escuta: você não me ama, você acha que me ama porque tomou a poção do amor.
MULHER: ó Istvan, o que é que você esconde aí embaixo hein? (se refere à calça dele – dá uma patolada nele).
DOUTOR: Dona Lídia, por favor!
MULHER: Me beija, meu amor! Me beija!
DOUTOR: Dona Lídia, me escuta, essa poção não tem cura, então a senhora vai ter que aprender a administrar seu amor por mim, você tá me ouvindo?
MULHER: (concorda) Hum rum. Faça amor comigo Istvan!
DOUTOR: Pare com isso. Dona Lídia por favor!
MULHER: Mas por que Istvan? Você não me acha atraente?
DOUTOR: Você tomou um gole grande disso?
MULHER: Ò Istvan, eu quero tanto te morder! I Love you! Je t´aime Istvan! Faça amor comigo agora, eu te suplico! (ela salta em cima dele, perigosa, tarada).
DOUTOR: Dona Lídia, que isso?!
MULHER: Vem aqui! Hein? Que que custa?
DOUTOR: Eu não posso... ai, tira mão daí Dona Lídia!
MULHER: Mas por que Istvan? Por que que você tá me maltratando assim?
DOUTOR: Ai, assim você me machuca!
MULHER: E se eu disser que tenho uma coisa pra te mostrar hein Istvan? (começa a abrir a blusa)
DOUTOR: Eu não quero ver nada Dona Lídia. Nada!
MULHER: Mas por que Istvan? Por quê?! Olha isso aqui Istvan! (tenta mostrar a calcinha mas ele a segura).
DOUTOR: Chega! Dona Lídia, Chega! Agora presta atenção, olha pra mim.
MULHER: ò istvan, eu amo te olhar. Eu amo amar te olhar, eu amo amar amar te.../
DOUTOR: Presta atenção no que eu vou te falar: eu sou gay, você entendeu agora? Eu sou gay!
MULHER: (pára) o quê?
DOUTOR: Eu nunca vou poder corresponder ao seu amor, eu sou gay Dona Lídia. Gay desde menino.
MULHER: Mas Istvan...
DOUTOR: Eu paquerava os meninos no banheiro da escola.
MULHER: Ò Istvan, que horror!
DOUTOR: Eu sinto muito.
MULHER: Mas você não pode mudar isso?
DOUTOR: Dona Lídia, não existe ex-gay.
MULHER: Faz esse esforço, por mim... ó Istvan, o que vai ser de mim?
DOUTOR: Dona Lídia, por favor...
MULHER: Eu te amo tanto.
DOUTOR: Eu sei, mas o que que eu posso fazer? Eu não posso me transformar em outra pessoa, eu queria te ajudar mas essa é a minha orientação sexual e/
MULHER: (aponta arma pra ele) Era.
DOUTOR: Como assim era?
MULHER: Beba isso, Istvan. Ainda resta um gole.
DOUTOR: Mas...
MULHER: Bebe agora.
DOUTOR: Você tá falando sério?
MULHER: Eu sou uma mulher apaixonada Istvan. E desesperada.
DOUTOR: (bebe e começa a passar mal). Ai..
MULHER: Istvan! O que que você tá sentindo? Me fala!
DOUTOR: Raiva. Você não podia ter feito isso comigo.
MULHER: Desculpa Istvan.
DOUTOR: Eu gostava tanto de ser gay!
MULHER: Gostava? Mas então você não gosta mais?
DOUTOR: Me dá um beijo Lídia! Um beijo de língua! Eu quero um beijo melado!
MULHER: Ó Istvan! Vou te dar um beijo sim! Um beijo bem babado!
DOUTOR: Ó Lídia! Que beijo molhado!
MULHER: ò Istvan, eu estou toda babada! Toda babada!
DOUTOR: Ò Lídia, eu te amo tanto!
MULHER: E eu amo te amar.
DOUTOR: E eu amo amar te amar...
MULHER: E eu amo amar amar te.../ (eles vão continuar a falar que amam amar etc e tal por um tempão...mas a luz vai caindo.)
fim.
Clique aqui e assista a cena no youtube.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Segunda semana do Clube da Cena Unplugged
A segunda semana do Clube da Cena Unplugged foi baseada nas canções de Caetano Veloso.
Abaixo, uma palhinha do que foi a noite.
TREM DAS CORES, de Cristina Fagundes - Música: Trem das Cores
Com Marino Rocha e Priscila Assum
Direção: Breno Sanches
Música: London London
Com Cláudio Amado e RitaFisher
Direção: Luiz Otavio Talu
COMO IDENTIFICAR E EXTERMINAR UM VAMPIRO, de Diego Molina
Músic:a Não Enche
TANTO QUERER de Renata Mizrahi – Música: O Quereres
Com João Rodrigo Ostrower e Mariana Costa Pinto
Direção: Luis Carlos Nem
NÃO, EU DISSE NÃO, de Cesar Amorim – Música: Meu Bem, meu Mal
Com Renato Albuquerque e Ana Paula Novellino
Direção: Miguel Thiré
E como já é de costume a cada final de apresentação do Clube da Cena Unplugged, o público vota nas cenas que mais gostou e elas vão para o youtube.
E as cenas escolhidas na segunda noite foram:
Tigresa, de Regiana Antonini
Clique aqui e veja a cena no youtube.
Segue o texto na íntegra.
Abaixo, uma palhinha do que foi a noite.
TREM DAS CORES, de Cristina Fagundes - Música: Trem das Cores
Com Marino Rocha e Priscila Assum
Direção: Breno Sanches
AQUARELADO BRASIL, de Ivan Fernandes Música: London London
Com Cláudio Amado e RitaFisher
Direção: Luiz Otavio Talu
Músic:a Não Enche
Com Zé Guilherme Guimarães e Flavia Espirito Santo
Direção: Paulo Mathias Junior
TANTO QUERER de Renata Mizrahi – Música: O Quereres
Com João Rodrigo Ostrower e Mariana Costa Pinto
Direção: Luis Carlos Nem
NÃO, EU DISSE NÃO, de Cesar Amorim – Música: Meu Bem, meu Mal
Com Renato Albuquerque e Ana Paula Novellino
Direção: Miguel Thiré
TIGRESA, de Regiana Antonini
____________________________________E como já é de costume a cada final de apresentação do Clube da Cena Unplugged, o público vota nas cenas que mais gostou e elas vão para o youtube.
E as cenas escolhidas na segunda noite foram:
Tigresa, de Regiana Antonini
Clique aqui e veja a cena no youtube.
Segue o texto na íntegra.
TIGRESA
PENUMBRA. OUVE-SE A MÚSICA “TIGRESA” (CAETANO VELOSO). A LUZ, AOS POUCOS, REVELA DAGMAR (UMA TRANSEXUAL) DUBLANDO A MÚSICA, VESTIDA COM: MEIA ARRASTÃO, SAPATO DE SALTO BEM ALTO, VESTIDO CURTO DE ONÇA, LUVAS 7/8 E OBVIAMENTE UMA PERUCA LOURA ATÉ A CINTURA. BRINCOS ANÉIS, PULSEIRAS E COLARES. CANTA FAZENDO UMA COREOGRAFIA NUMA CADEIRA A “LÁ CABARÉ”. UM TEMPO ASSIM. DE REPENTE OUVE-SE A VOZ DE JULIETE (AMIGA MULHER) QUE ENTRA EM CENA.
JULIETE – Dagmarrrrrr!!!!
A MÚSICA PÁRA E A LUZ SE ACENDE COMPLETAMENTE, REVELANDO QUE DAGMAR ESTÁ NO MEIO DA SALA DE UM APARTAMENTO, TIPO KITNET.
JULIETE – Dagmar! Dag...
DAGMAR – Ai, Juliete! Você desafinou: gritou em lá menor!
JULIETE – Tu tá de sacanagem, né Dagmar? Incorporou a cover da Madonna?
DAGMAR – Pára tá! Saco! Tô aqui ensaiando! Não suporto isso: essas suas entradas de emboscada! Já falei pra você não entrar aqui berrando! Você destrói minha cena!
JULIETE – Que cena, Dagmar?
DAGMAR – Como assim “que cena” Dagmar? A do meu show: “Tigresa de unhas negras”! Eu serei Kelly Stefânia, uma mulher sensualéeerrima, que provoca os homens, seduz, faz com que eles se apaixonem por ela e depois joga todos eles fora! Despreza e destrói o coração deles! Faz com eles o que ela quer, transformando-os em capachos, em ratos, em... pó! Ai, como eu amo essa personagem!
JULIETE – De novo isso, Dagmar? Tu fica aí sonhando... pirando na abobrinha... Ai credo viu! Se um dia tu me ver louca assim, tu me interna, não me deixa solta não, hein!
DAGMAR – Ai, Juliete como você tem uma alma pequena! Você não consegue alcançar a minha arte.
JULIETE – Não consigo mesmo! Até porque nem sei se ela existe!
DAGMAR – Aahhhh... Agora você está me ofendendo, me desrespeitando e isso eu não posso e não vou admitir!
JULIETE – Tá bem! E tu pode me dizer quando e como esse teu show vai sair do plano do sonho e se transformar em realidade?
DAGMAR – Estamos estudando algumas propostas...
JULIETE – Estamos quem cara pálida?
DAGMAR – Eu e minha equipe. Sim porque eu tenho uma equipe! Várias pessoas que trabalham em prol do meu show!
JULIETE – E eu tenho dois ouvidos pra ficar escutando essas suas sandices. Dagmar, tu tá pior do que eu pensava!
DAGMAR – Querida, presta atenção: eu sou uma estrela! Uma estrela em ascensão! Todos querem estar perto de mim! Não te contei? O Sérgio Murilo, que é uma pessoa maravilhosa, me convidou pra fazer essa personagem bombástica, numa festa na casa dele. Vou sair de dentro de um bolo de oito andares! Acontece que a festa foi adiada! E o Sérgio Murilo, que é simplesmente genial resolveu transformar a festa numa performance. E o primeiro lugar onde vamos nos apresentar será no aeroporto. Na pista! Depois, será a vez do cemitério. A primeira pessoa vip que fizer a passagem será presenteada com a minha voz! Eu vou cantar pra ela subir! (RI)
JULIETE – Chega, Dagmar! É muita porra louquice junto! Tenho que ficar te colocando na real todos os dias! Dagmar tu é apenas uma camareira! Pronto, falei! Se liga, fofs!
DAGMAR – A inveja não mata apenas, ela, antes de matar provoca uma enorme confusão na cabeça das pessoas. Presta atenção: eu não sou camareira Eu estou camareira! Passando por uma fase back stage! E depois, todas - eu disse “todas” - as divas do nosso teatro, do nosso cinema me querem, me desejam ao lado delas! E tudo isso por quê? Ora queridinha, eu sou profissional! Entro de corpo e alma em tudo o que faço! Sou intensa! Sou profunda! Sou feliz! E tenho dentro de mim, essa alma de artista! Ai, como é bom poder tocar um instrumento!
JULIETE – É bom também arrumar a casa de vez em quando, sabia?
DAGMAR – Agora não posso. Tenho que me preparar pra minha filmagem! AH!!! Eu te contei? Vou fazer o filme! Lembra aquele teste que eu fiz pro filme do Tom Cruise?
JULIETE – Aquele em que EU trabalho?
DAGMAR – Sim, querida, servindo café e bolinho, né? Sim porque alguém tem que fazer isso pra gente! Então, passei! Ai, como eu sou dinâmica! Jogo nas 11, fofa! (VAI SE EMPOLGANDO E FALA VOZ SENSUAL, MEIO ROUCA, COMO SE ESTIVESSE DANDO UMA ENTREVISTA) Sim eu estou muito feliz, muito emocionada... Pra mim é um prazer enorme estar participando desse projeto... Eu fui convidada pelo David, que é uma delícia de pessoa, pra fazer essa personagem deslumbrante. E o David, ele é simplesmente genial! Ele chega no set e sabe exatamente o que vai fazer, sabe o que quer da cena, dos atores, então, o nosso trabalho, nesse sentido foi muito fácil. Eu gravava cerca de cinco, seis cenas por dia. Não, não tive pudor nenhum, confiei na direção do David. Esse filme é um filme de amor, de sedução e a minha personagem, que é uma dançarina de cabaret, sim ela trabalha no “frenetic Dancing Days”! Então precisava mesmo ser bem sex appeal, bem felina mesmo! Eu quis fazer todas as cenas, não usei dublê! Dancei em todas! O nu é completamente artístico! As cenas de sexo foram feitas focadas no sentimento da personagem e não no sexo propriamente dito! Então, ficou lindo! Sem falar que contracenar com o Tom foi divino! Ele é um cara que sabe tudo realmente, além de ser um homem muito sensual! Espero que vocês aí no Brasil curtam assistir o filme tanto quanto eu curti fazê-lo!
JULIETE – Chega, Dagmar! Pirou? Volta pra terra!
DAGMAR – Hã? Acho que me empolguei e comecei a dar uma entrevista para o Tele-Cine Pipoca! De repente, eu já estava ensaiando as minhas respostas! É que sou geminiana, com ascendente em aquário e a lua em leão, ou seja sou muito rápida!
JULIETE – E da onde você tirou que vai dar uma entrevista para o Tele-cine Pipoca?
DAGMAR – Como da onde? O David é um diretor americano, que se encantou comigo, com o meu potencial, com o meu talento! Quer me lançar, hunny! Porque então, eu não daria entrevista para o Tele Cine Pipoca ou para o Sony Enterteiment Television?
JULIETE – Porque pelo que eu saiba, tu só faz uma ponta nesse filme.
DAGMAR – Querida, eu nunca faço ponta! Quem faz ponta é lápis! Presta atenção: eu faço uma participação no filme do Tom. Uma participação muito especial!
JULIETE – Ah, é! Uma participação especial de uma cena só, onde você entrega uma carta para a criada e diz “this letter is for Mrs Jones”!
DAGMAR – A nível de dúvida, querida: você leu o roteiro? Porque se você realmente leu o script, você deve saber que esta carta é fundamental para a história. Mrs Jones está há semanas esperando por ela. Então, eu não entrego uma carta não, eu entrego “a” carta! A chave de todos os segredos! A revelação de um grande mistério!
JULIETE – E daí?
MICHEL – Como e daí? Tá louca bicha? Não pode ser qualquer atriz nesse papel não! Tem que ter peso dramático, porra! Eu fiz teste...
JULIETE – Pra testar o seu inglês e não a sua interpretação!
DAGMAR – Juliete, olha só: eu já nasci predestinada! Tenho até um nome artístico de estrela! Rebeca Fonda!
JULIETE – Teu nome é Dagmar da Silva! Não se esqueça que você tem o da Silva!
DAGMAR – Cala a boca! Eu já cortei o da Silva há muito tempo! E ser Dagmar é só um detalhe! Detalhe bobo! Meu nome artístico é Rebeca Fonda! Querida, sou operada! Se troquei de sexo, trocar de nome é pinto! (VIRA E FALA TIPO DUBLANDO COMO AS VINHETAS DO TELECINE E DO CANAL SONY) “Oi, eu sou Rebeca Fonda e eu assisto o Tele Cine Action!” Ou então: “Hello, I’m Rebeca Fonda! You are watching the Sony Entertement Television!”...
JULIETE – Dagmar, o pior é que tu acredita mesmo que isso vai dar certo...
DAGMAR – Óbvio! Amanhã, quando eu for gravar a cena da carta, eu vou fazer aquele meu olhar lânguido, meia taça, tipo “Angelina Jolie”, manja? Aí, vou olhar pro Tom e dizer: (VOZ ROUCA SENSUAL) “Hellô,Tom, nice to meet you! I’m Rebeca Fonda, a brasiliam actriz!” (VOLTA A VOZ NORMAL) E aí, quando o diretor disser “Action”! Eu faço meu olhar fatal e digo o meu texto: (VOZ ROUCA) “this letter is for Mrs Jones! Please tell her that I am here”!
JULIETE – Que texto é esse?
MICHEL – Eu criei! Pra dar mais coerência à minha personagem, a Pâmela...
JULIETE – Que Pâmela? Sua personagem não tem nome! Não existe nenhuma Pâmela! No roteiro está escrito: entra uma “pessoa” e entrega a carta para a criada de Mrs. Jones.
DAGMAR – (SEM OUVIR JULIETE) Eu até pensei em colocar mais uma frase: (VOZ ROUCA) - “this letter is for, Mrs Jones! Please tell her that i am here”! She is waiting for me!”
JULIETE – Vem cá, você vai filmar num set ou num aeroporto? Sim porque tu tá falando que nem a Iris Letieri anunciando o embarque do próximo vôo!
DAGMAR – A inveja mata mesmo!
JULIETE – E a ilusão pira o cabeção!
DAGMAR – Que ilusão! Eu tenho certeza que o Tom Cruise vai me olhar e imediatamente perceber que eu sou uma atriz assim... promissora e claro, vai querer me comer!
JULIETE – Caraca! Agora tu pirou de vez! Tu acha mesmo que o Tom Cruise vai querer te comer?
DAGMAR – Acho não, tenho certeza! Vou te contar um segredo: ele já me quer!
JULIETE – Hein, Dagmar?
DAGMAR – Ele me olha com olhos famintos!
JULIETE – Deve estar te confundindo com uma avestruz!
DAGMAR – Pára, tá minha filha! Você não sabe de nada! Eu fui lá no set hoje ver as filmagens! Quando ele me viu, cochichou alguma coisa no ouvido do produtor que veio imediatamente me perguntar quem eu era!
JULIETE – Claro, uma pessoa louca que invade o set e fica lá, comendo O Tom Cruise com os olhos causa um tipo de estranhamento, curiosidade! Então, ele mandou perguntar quem era você, porque não te conhecia! Achou que fosse uma figurante cara de pau, que é o que você realmente é: figuração com fala, pronto, falei!
DAGMAR – Vem cá, é impressão minha, ou você está querendo bater boca comigo?
JULIETE – Não quero bater boca com ninguém! Eu quero é que tu caia na real!
DAGMAR – Quem tem que cair na real aqui é você! Presta atenção: sua amiga aqui é uma estrela! Pronto, falei! Agora, lida com isso!
JULIETE – Dagmar, tu precisa voltar a fazer terapia! E rápido!
DAGMAR – Não posso! Os pacientes daquela clínica me descobriram! Fica todo mundo querendo autógrafos, fotos comigo! É um inferno! Fico exausta, sufocada! Me sinto invadida!
JULIETE – Imagino...
DAGMAR - Mas, fazer o quê? Essa é a minha profissão! O assédio faz parte! Então, faço assim: se não tô num dia bom pra dar autógrafos e ser simpática com o meu público, nem saio de casa!
JULIETE – Você tem razão! Melhor ficar em casa mesmo...
DAGMAR – Mas o pior são os paparazi! Me seguem o tempo todo! (APONTA) Olha pela janela... Viu? Deve ter uns trinta lá embaixo! Daqui a pouco, piram mais e alugam aquele apartamento ali da frente, só pra poderem me pegar tomando banho e tirar uma foto espontânea! (COLOCA BONÉ E ÓCULOS ESCUROS) Agora, só posso sair assim: disfarçado! Eu tava até falando com o Gi...
JULIETE – Gi? Quem é Gi?
DAGMAR – Giani...
JULIETE – Giani...?
DAGMAR – Chinni!
JULIETE – Ah, tá! Agora, que o Tom Cruise vai te comer, claro, você virou a melhor amiga do Gianechinni! Vem cá, ele também não quis ter um casinho com você?
DAGMAR – Pára tá! Não tenho nada com O Gi. Tô cansada de ter que ficar desmentindo coisa! Somos só bons amigos! O que a gente tem é uma boa química! Isso confunde a cabeça das pessoas, é natural, mas é só cena mesmo!
JULIETE – (DEBOCHADA) Ah, é, eu me esqueci que tu fez uma novela com o Gianechinni...
DAGMAR – Não fiz, não! Não fiz, mas vou fazer! E será um filme! E como eu sei que as cenas serão bem quentes, eu já tenho as respostas na ponta da língua!
JULIETE – Eu fico impressionada com a certeza que tu tem das coisas! É incrível isso! Tu é abusada mesmo!
DAGMAR – Sou, querida! Mas eu posso ser! E digo mais: com esse filme, eu serei a primeira atriz brasileira a ganhar o Oscar! Sim porque a Fernanda foi só indicada! Não vale!
JULIETE – Pronto, era o que faltava para o Brasil se projetar: além de ter tido um presidente que nasceu pobre e conseguiu vencer agora, uma atriz brasileira, operada, completamente desconhecida, faz um filme com o Gianechinni, que também é brasileiro, e ganha o Oscar, coisa que o mundo do cinema americano sonha! É fantástico! Eu tô achando que tu não é abusada só não, tu é maluca mesmo, louca de pedra!
DAGMAR – Não, meu bem, eu vi o “The Secret”! Você não deve ter visto, por isso está boquiaberta com o meu destino! O segredo é você dar ordens para o universo! Você manda e ele obedece! Se eu estou dizendo - e quando eu digo, eu logo acredito - que serei uma estrela universal, é porque isso vai acontecer! Então, eu estou me preparando para esse momento da minha vida que já está praticamente batendo na minha porta! Toc, toc, toc! Quem é? É a fama! O sucesso!
JULIETE – Isso significa, que se eu quiser, me ver livre de você, é só eu ordenar ao universo, que você some rapidinho?
DAGMAR – Juliete, amada: você jamais vai querer sair de perto de mim! Sabe o que vai acontecer com você? Será minha assessora! Vai ter emprego garantido pro resto da vida! E vai ganhar em euros! Sim, porque eu vou morar numa mansão na Grécia!
JULIETE – Ok! Pra mim já deu. Eu não vou falar mais nada! Até porque, eu estou atrasadíssima! Vou lá servir os meus bolinhos e os meus cafés! Adeus, tigresa! (SAI)
DAGMAR – Coitada da Juliete... Tá completamente derrotada pela vida! (P/ PLATÉIA, NO CLIMA DA ENTREVISTA) Eu ainda estou estudando alguns roteiros... Também fui convidada pelo Silvinho... Silvio... De Abreu! Então, o Sil me convidou pra fazer uma personagem maravilhosa na sua novela... É, eu ia ser a vilã da trama! Mas aí, a Mariana Ximenes foi lá, pediu pra ele, e como o Silvinho é um gentleman, acabou dando o papel pra ela. Aí ficou cheio de dedos pra falar comigo. Eu disse: Sil, fofo, relaxa! A Mari vai fazer bem! Vai fazer par com o Tony! Adoro o Tony! A gente tem uma boa química em cena! Em cena, hein! Escreve direito, se não a mulher dele me mata! Ah, rola um ciume, sim! Rola, pronto, falei! O quê? Namorando? Olha só, eu realmente não quero falar sobre esse assunto! Vamos falar sobre o meu show? “Tigresa de unhas negras!” Também adoro o nome. Tem tudo a ver comigo! Claro, vou dar uma palinha, tá! Em primeiríssima mão!
VOLTA A CANTAR E DANÇAR A MUSICA TIGRESA, COMO NO INÍCIO DA CENA.
_______________________________
A outra cena é Não, eu disse não, de César Amorim
Clique aqui para ver a cena no youtube.
E segue o texto na íntegra.
NÃO, EU DISSE NÃO.
De César Amorim.
DO FUNDO DO PALCO, WANDERLÉA, COM UM ANEL DE LUA E ESTRELA NO DEDO, ENTRA DE PRETO, SEGURANDO UM BUQUÊ DE FLORES, E PARA NO PROCÊNIO. ELA ESTÁ MUITO TRISTE.
WANDERLÉA – Escolha e perda. Uma não vive sem a outra. Perder pra mim é como ser amputada. Quando terminei meu noivado com o Erasmo, semana passada, em pleno altar, por causa do Roberto, saí por cima. Mas bastou descer os degraus da igreja pra me sentir amputada. Eu tenho um sonho recorrente: eu, toda de preto, numa penitenciária de segurança máxima, numa cela minúscula, com um número 30 na porta e sendo chamada de balzaquiana pelas outras detentas. Acho que isso é um presságio. Não casar, pra mim, é o isolamento social. Todas as minhas amigas se casaram antes dos 30. E eu tenho que seguir o padrão. Sou muito focada, corro atrás dos meus objetivos. Foi assim quando perdi a virgindade. Escolhi a vítima, mirei e fui com tudo. Foi uma merda. Não perdi a virgindade com ele. Eu tinha o hímen complacente. Perdi pro médico que me operou. E, claro, quase me apaixonei perdidamente por ele. Um bisturi na minha vagina e eu fantasiando com o homem, gente. Com o homem que me amputou. Bom, eu achava que isso não importava mais. Que o que importava era que ali estava eu no enterro da Sarah Jéssica. Por causa da morte da minha melhor amiga, eu podia estar deixando de conhecer o homem da minha vida. O nick, as fotos, o papo, tudo me levava a crer que ele podia ser O cara. Eu enterrava a minha cadelinha e pensava nisso. Fazer o quê? Escolhas. Perdas. Amputações.
ELA, MUITO EMOCIONADA, COLOCA, DELICADAMENTE, O BUQUÊ NO CHÃO E FAZ UMA ORAÇÃO SILENCIOSA. DO FUNDO DO PALCO, ENTRA CAETANO, CERCA DE 40 ANOS, TAMBÉM DE PRETO, ÓCULOS ESCUROS, COM UMA ROSA NAS MÃOS E PARA AO LADO DELA. ELA NÃO O PERCEBE DE IMEDIATO. ELE DEPOSITA A ROSA AO LADO DO BUQUÊ, NO CHÃO.
CAETANO – Vai fazer muita falta.
WANDERLÉA – Oi?
CAETANO – Sarah Jéssica. Era uma boa companheira.
WANDERLÉA – Você conhecia a Sarah Jéssica?
CAETANO – Claro. Uma alma boníssima. E de uma fidelidade, desculpe o trocadilho, canina.
WANDERLÉA – Obrigada, mas quem é você?
CAETANO – Um velho amigo da família.
WANDERLÉA – Eu sou a família da Sarah Jéssica e ela nunca me falou de você.
CAETANO – É... normal. Compreensível. Ela tinha certa dificuldade em pronunciar o meu nome.
WANDERLÉA – Olha, legal, você é super espirituoso, mas eu não tou com clima pra brincadeira. Fala logo quem você é.
CAETANO – Prazer, “Mulhersolteiraproocura29”, eu sou o “Ultimoromanticorj”.
WANDERLÉA – Meu Deus, você é o... Não, não pode ser.
CAETANO – Por quê? Tou tão diferente assim?
WANDERLÉA – Não, não é isso. Quer dizer, é isso também. Você não tem nada a ver com a foto. E eu não te disse que ia enterrar minha cachorra. Como você...?
CAETANO – É, a foto não me valorizou o suficiente.
WANDERLÉA – Pelo contrário, ela te valorizou demais. Querido, aquela foto não é sua.
CAETANO – Claro que é. Eu tirei ela. Sou fotógrafo. É minha.
WANDERLÉA – Isso é alguma piada? Você colocou uma foto... não, uma só não, você colocou várias fotos de um cara que não tem nada a ver com você. E... espera... eu acho que te conheço. Tira os óculos.
ELE, LENTAMENTE, TIRA OS ÓCULOS.
WANDERLÉA – Eu te conheço sim! De onde, meu Deus?
CAETANO – Eu fui o primeiro homem da tua vida.
WANDERLÉA – Como é?
CAETANO – Você não pode ter esquecido. Não se esquece uma coisa dessas.
WANDERLÉA – O que você tá dizendo é impossível. O meu primeiro homem foi o meu primeiro namorado.
CAETANO – Não. Não foi teu namorado. O teu primeiro homem fui eu. Eu sei, e você sabe que eu sei. Esse cara pode ter sido o teu primeiro amor, mas o homem que te fez mulher fui eu.
WANDERLÉA FICA CHOCADÍSSIMA.
WANDERLÉA – Meu Deus!
CAETANO – Eu marquei demais, tou sabendo.
WANDERLÉA – Você foi o meu... o meu ginecologista! Doutor...
CAETANO – Caetano. Eu fui ou não fui teu primeiro homem?
WANDERLÉA – Claro que não.
CAETANO – Não foi isso que você me disse no consultório, na hora em que eu estava tirando tua virgindade.
WANDERLÉA – Eu era uma garota. Romântica. Você era bonito, carinhoso, atencioso. E eu de pernas abertas, carente, vulnerável. Gente, qualquer menina fantasiaria.
CAETANO – E qualquer homem se excitaria.
WANDERLÉA – Não, só os doentes como você.
CAETANO – Não fala assim. Você foi a primeira mulher que tirei a virgindade. E a última. Nunca mais peguei um caso de hímen complacente. E todas as namoradas que tive já haviam dado pra outros. Umas piranhas, vagabas, vampiras, mesquinhas. Você não. Você é o meu vício, desde o início.
WANDERLÉA – Que vício, gente? Início do quê?
CAETANO – O início da nossa relação. Do nosso caso de amor.
WANDERLÉA – Que amor, garoto? Que amor? O nome disso é obsessão.
CAETANO – O nome disso é amor verdadeiro. E não aquilo que aquele idiota do Erasmo sentia por você.
WANDERLÉA – Você sabe do Erasmo?
CAETANO – E do Roberto. Eu tava na igreja... fotografando. O Erasmo me contratou. Eu não esperava aquele show. Roberto dizer que tava amando loucamente a namoradinha do melhor amigo foi demais. E as fotos da cara do Erasmo ouvindo isso ficaram impagáveis.
WANDERLÉA – Você tava me seguindo? Mas, no dia do meu casamento, a gente não tinha teclado ainda.
CAETANO – Claro que já. Eu não sou o único amigo virtual que você tem. Prazer, eu também sou a “Jéssicacarente” e a “Mulherprecisadehomemjá”.
WANDERLÉA – Não! Não é possível. Elas são as minhas melhores amigas virtuais! Eu vi as fotos delas.
CAETANO – Lindas, não? São minhas modelos. Assim como o rapaz que emprestou o corpo pra ser eu. Fotografar é um dos meus hobbies.
WANDERLÉA – Mas como? Não me diz isso! Elas não podem ser de mentira. Elas fazem parte da minha vida. Eu amo elas.
CAETANO – Eu sabia que ia ouvir isso de você. Eu também te amo.
WANDERLÉA – Desde quando você me persegue?
CAETANO – Desde quando você ganhou esse anel.
WANDERLÉA – O que é que tem esse anel?
CAETANO – Era da minha mãe. Estava no penhor e foi a leilão. O Erasmo arrematou e te deu de presente. Eu tentei dar o maior lance, mas ele venceu. Aquele filho da puta tirou a última lembrança da minha mãezinha. Eu tinha prometido a ela, no leito de morte, que iria trazer o anel de volta pra nossa família. E foi o que tentei fazer. Passei a seguir o Erasmo e vi o dia em que ele te deu e te pediu em casamento. Eu não acreditei. Te reconheci de imediato. A mulher que eu desvirginei estava usando o anel da minha mãe. Era um sinal. Minha mãezinha me levou até você, meu amor.
WANDERLÉA – Olha, é realmente linda a sua psicopatia, tocante, mas eu não posso cuidar de você. Sou atriz e o máximo que me aproximei de gente maluca foi fazendo teatro empresa nas plataformas da Petrobrás. Saia daqui, por favor. Eu não quero nada com você.
CAETANO – Mas eu sou ideal pra você. Eu correspondo perfeitamente às três principais qualidades que você procura num homem. Primeiro, sou heterossexual, convicto. Segundo, tenho bons dentes. Meses no dentista pra ficar do jeito que você gosta. E terceiro e o motivo maior da minha demora em me revelar.
ELE TIRA UMA PÁGINA DO DIÁRIO OFICIAL DO BOLSO.
CAETANO – Sou empregado público. Depois de anos estudando passei em primeiro lugar no concurso pra médico do estado. Saiu hoje o resultado. Tá aqui, ó, o Diário Oficial. Tá vendo? Melhor partido do que eu não há. Então, vamos?
WANDERLÉA – Pra onde?
CAETANO – Pra nossa casa. Vai, fala que sim.
WANDERLÉA – Você é uma criatura, no mínimo, apavorante. Vem com esse olhar de maníaco sexual, no enterro da minha cadela, querendo que eu diga sim? Pois bem, leia nos meus lábios, Norman Bates. A minha resposta é NÃO! Eu disse NÃO!
CAETANO – E eu digo sim. Eu digo não ao não.
WANDERLÉA – Esse papo seu tá qualquer coisa. Você tá pra lá de Marrakesh, seu doente.
CAETANO – Doente? Quem é mais doente aqui? Eu, que amo você à distância há anos e que sei tudo da sua vida, que te conheço bem, ou você, que quer casar com um homem qualquer em poucas semanas só pra não chegar aos 30 anos solteira? Me diz, quem é mais doente?
WANDERLÉA – Tá, tudo bem, estamos competindo pelo ouro, mas não vou me casar com um homem qualquer, vou casar com o homem certo. E ele, definitivamente, não é você.
CAETANO – Acho que a sua certeza acaba hoje. Aqui. Se o seu homem certo não sou eu, não será mais ninguém. Nós dois, juntos, vamos fazer companhia a Sarah Jéssica.
ELE RETIRA UM PUNHAL DO BOLSO, ENROLADO NUM LENÇO, E MOSTRA PRA ELA.
WANDERLÉA – Esse punhal é meu. Foi do meu pai. Onde você conseguiu?
CAETANO – Numa das muitas vezes em que fui te ver dormindo no teu quarto. Ainda tem tuas digitais. Foi uma troca justa. O anel da minha mãe pelo punhal do teu pai.
ELE PARTE PRA CIMA DELA, SEMPRE SEGURANDO O PUNHAL COM O LENÇO. ELES LUTAM, ELA PEGA O PUNHAL E ELE SE JOGA SOBRE ELE, SENDO ATINGIDO.
WANDERLÉA – Ai, meu Deus! Olha que você fez! Socorro! Alguém ajuda aqui!
CAETANO – Você me matou!
WANDERLÉA – Não, você quis me matar, eu só...
CAETANO – Não é o que meus amigos vão pensar. Eles sabiam da nossa relação. E sempre souberam da sua obsessão por mim. Eu era ameaçado por você durante anos e hoje iria vê-la pra resolver essa história.
WANDERLÉA – Isso é mentira!
CAETANO – Fala isso pra polícia. Homicídio doloso. Premeditado. Trinta anos de prisão.
WANDERLÉA – 30 anos! O meu sonho, meu Deus!
CAETANO - Eu te amei tanto, meu bem... meu mal...
ELE MORRE E ELA GRITA.
CONTINUA...
FIM.
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