quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A noite do Cazuza

Mais uma noite do Clube da Cena Unplugged. Dessa vez o compositor que serviu de inspiração foi Cazuza.

Abaixo uma palhinha dessa noite "exagerada" (todas as fotos de Bárbara Campos).

A PRIMEIRA VEZ QUE EU DISSE EU TE AMO, de Renata Mizrahi
música TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA
com Mariana Santos e Marcelo Dias
direção Luis Otávio Talu




 

ESTAÇÃO CENTRAL de Ivan Fernandes – música UM TREM PRAS ESTRELAS
com Cristina Fagundes e Zé Auro Travassos – direção Alexandre Bordallo



 
SUPEROVER de Cristina Fagundes – música EXAGERADO
com Marcelo Lima e Maíra Kesten – direção Cico Caseira


AQUELE GAROTO QUE IA MUDAR O MUNDO de Carla Faour – música IDEOLOGIA
com Bia Guedes e Luis Lobianco – direção Renato Livera


 


O QUE DIZER de César Amorim – música POR QUE QUE A GENTE É ASSIM?
com Mariana Consoli e José Alessandro – direção Wendell Bendelack


 


EU PRECISO DIZER QUE TE AMO de Regiana Antonini – música EU PRECISO DIZER QUE TE AMO
com Alexandre Barros e Thaís Lopes – direção Lincoln Vargas



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E o público elegeu como as cenas mais legais da noite, Aquele garoto que ia mudar o mundo e O que dizer.

Clique aqui para ver no youtube Aquele garoto que ia mudar o mundo.

Clique aqui para ver O que dizer.

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Agora pra vocês, os textos na íntegra dessas suas cenas:

O QUE DIZER?
(Inspirado na música “Por que a gente é assim?”)
De César Amorim.
SOM DE BOATE. WANDERLÉA TENTA FALAR COM ZUZA, UM GAY MUITO CHAPADO, QUE DANÇA LOUCAMENTE. ELE BEBE UÍSQUE; ELA, COCA-COLA.
Importante: os trechos de fala retirados das músicas não precisam ser cantados, melhor que sejam ditos como falas.
WANDERLÉA – Vem cá, Zuza! Por favor, me diz. Você pode me ajudar?
ZUZA – Mulher, deixa ver se entendi tua história. Você ia casar, mas o melhor amigo do teu namorado se declarou pra você na hora do casamento e você não casou. Sua cachorra morreu... ai, meus pêsames, eu a-m-a-v-a a Sarah Jéssica... Então, a coitadinha morreu e, na hora do enterro dela, um homem aparece do nada e diz que te ama loucamente. Você, muito prudentemente, mata ele.
WANDERLÉA – Ele me atacou. Legítima defesa!
ZUZA – Não me interrompa, se não vou ter que começar tudo de novo, que nem os meninos de Olinda. Então, voltando, você matou o seu admirador e a única testemunha do assassinato foi o homem que te vendeu as flores pro enterro da Sarah Jéssica. Tá tudo certo até aqui?
WANDERLÉA – Certíssimo.
ZUZA – E, claro, como nada na sua vida é simples, esse florista era um vampiro, que nasceu há dez mil anos atrás, e que também te perseguia porque você é a amada eterna dele. Ou seja, você tá exalando sexo.
WANDERLÉA – Você acredita em mim, não acredita?
ZUZA – Minha linda, vou te falar com pureza d’alma. Nesse exato momento, eu tou igual a Amy Winehouse minutos antes do passamento, ou seja, com alucinógenos até a alma. E, ainda assim, é difícil acreditar nessa tua história. Depois eu é que sou exagerado, né?
WANDERLÉA – Mas é a pura verdade, amigo. Me dá uma luz. O que é que eu faço?
ZUZA – Wandeca, minha rainha fofa, só tenho um conselho pra te dar: se joga. Aproveita essa vibe, tá entendendo? Tua vida sempre foi um saco, certinha pra caralho, toda regradinha. Tu nunca fumou umzinho, que eu tou sabendo, nunca nem bebeu álcool, então dá uma guinada, mulher.
WANDERLÉA – Do que é que você tá falando, Zuza? Eu matei um homem!
ZUZA – Cara, isso é demais! A tua vida girou 360 graus.
WANDERLÉA – 180.
ZUZA – Ai, que saco, você sempre limitada. O que é que custa girar 360? Não se limita. Agora é o momento de você aproveitar essa onda e cair pra dentro, sacou? Cair matando.
WANDERLÉA – Que cair matando o quê! Eu tou fudida, Zuza!
ZUZA – E isso é lindo! Cara, pensa, tu vai mudar. Não, tu já tá mudada. Tá com uma cara de maluca que é uma delícia de se ver. Se eu não te conhecesse bem ia te perguntar quem é o teu fornecedor. Isso que tá acontecendo contigo é o universo te dizendo pra partir pra outra, pra mudar a rota, pra deixar de caretisse e se entregar.
WANDERLÉA – Me entregar? Ai, não, eu não quero ser presa.
ZUZA – Porra, não é pra se entregar pra polícia, caralho. Se entrega a essa sensação nova. A essa adrenalina, a essa incerteza do amanhã. Vive o agora, tá me entendendo? E vai fugindo até te pegarem. Corre pelo mundo, voa, mergulha, faz alguma coisa de radical. Pensa assim, que tu tem uma doença terminal e que tem que aproveitar cada minuto de vida que te resta. Tou até arrepiado, gente. Vai ser lindo demais. Vai te dar um barato que tu não tem noção.
WANDERLÉA – Eu não tenho estrutura, Zuza.
ZUZA – Tem estrutura sim! Que papo é esse? Pensa comigo: tu já é uma assassina mesmo. Já fudeu com a vida de um coitado maluco que te amava. Já deixou o otário do Erasmo no altar. Se depois de tudo isso não tiver estrutura, trata de ter. Aproveita essa novidade na tua vida e muda ela. Tu já vai fazer 30 anos, mulher. Tá na hora de dar uma pirada.
WANDERLÉA – Não, tá na hora de me casar.
ZUZA – Deixa de ser chata, porra! Casar é o caralho, caceta! Que mania é essa de casar? E, quer saber, acho muito difícil. Nem sei como a anta do Erasmo te quis.
WANDERLÉA – O quê?
ZUZA – Amiga, você precisa ser forte. Eu preciso te dizer umas verdades. Vai doer? Ah, vai, mas pensa que faz parte do teu processo evolutivo. Seguinte: ninguém te gosta, Wandeca. Você só atrai gente maluca. E, perdão, amiga, mas, tirando teus admiradores esquisitos, todo mundo fala barbaridades de você.
WANDERLÉA – Todo mundo? Quem é todo mundo?
ZUZA – Pessoas que te conheceram e que te acharam o supra sumo da chatisse na terra.
WANDERLÉA – Gente, mas eu sempre sou tão fofa com todo mundo... e gosto tanto de tanta gente...
ZUZA – Mas tu fala demais, mulher. E é muito monotemática. Só fala em casamento, no homem perfeito, em casar antes dos 30... Ou seja, você é um porre! Se tu saísse do teu corpo um pouquinho, se perdesse o controle um tantinho que fosse, e se observasse de fora, tu ia ter uma noção do real significado da palavra “insuportável”.
WANDERLÉA – Nossa... eu tou tendo agora o real significado da palavra “depressão”. Zuza, eu tenho amigos e eles gostam de mim.
ZUZA – Amigos virtuais! E, pelo que você me contou, a maioria deles nem existem de verdade, foram fabricados pelo psicopata que você matou.
WANDERLÉA – Mas eu tenho você...
ZUZA – Sim, meu amor, você me tem. Mas sabe por quê? Por que eu te conheço desde criança. E te amo verdadeiramente. E vou te ser sincero, se te conhecesse hoje, ia pensar duas vezes se me aproximava de você.
WANDERLÉA – O que é que você tá bebendo aí? O soro da verdade?
ZUZA – Não, o soro da amizade. Ui, ficou piegas isso. Mas é isso mesmo. E olha pra você. Quase trinta anos e tomando coca-cola! Tu nunca tomou um porre na vida, mulher. E ainda é atriz. Como assim? E ainda dá aulas de teatro. Como assim? Fico imaginando que tipo de atores você tá produzindo. Ator certinho, meu bem, só o Tony Ramos. Essa vida é louca, é breve, deixa que ela te leve. Perde o controle e curte um pouco.
WANDERLÉA PENSA UM POUCO, DEPOIS ARRANCA O COPO DE UÍSQUE DAS MÃOS DE ZUZA E BEBE TUDO DE UMA VEZ.
WANDERLÉA – Tá olhando o quê?
ZUZA – Mais uma dose?
WANDERLÉA – É claro que eu tou a fim.
SOBE A MÚSICA. ZUZA PEGA UMA GARRAFA DE UÍSQUE E ELES COMEÇAM A BEBER E A DANÇAR MUITO. PASSAGEM DE TEMPO.
ZUZA – Aí eu falei no palanque da passeata gay: Brasil, mostra a tua cara!
SOBE MÚSICA. PASSAGEM DE TEMPO. ESTÃO MAIS BÊBADOS.
ZUZA – Eu queria ouvir de um homem assim: Você é o amor da minha vida. Daqui até a eternidade.
WANDERLÉA – Eu ouvi.
ZUZA – De vampiro não vale.
SOBE MÚSICA. PASSAGEM DE TEMPO. MAIS BÊBADOS AINDA.
ZUZA – Sabe o que você tem que fazer, Wandeca? Declarar guerra a quem finge te amar.
WANDERLÉA – Eu já comecei. Já matei um.
ZUZA – Ai, como você tá bandida!
ELES GARGALHAM. PASSAGEM DE TEMPO. MUITO MAIS BÊBADOS.
ENTRA RITA, UMA MULHER COM CABELO VERMELHO, MUITO CHAPADA TAMBÉM, QUE NÃO FALA COISA COM COISA.
ZUZA – Olha a Rita ali! Rita!! O que é que você tá fazendo aqui?
RITA – Eu arrombei a festa, meu bem. (Para Wanderléa): Chega mais. Chega mais.
WANDERLÉA SE APROXIMA.
RITA – Tu soube que suspenderam os jardins da babilônia?
WANDERLÉA – Oi?
RITA – Quem pode, pode. Deixa os acomodados que se incomodem.
ZUZA – Cara, tu tá muito linda. Maior luz.
RITA – Baila comigo?
WANDERLÉA – Eu?
ZUZA – Vai, boba. Se joga.
RITA – Eu conheço essa cara, esse jeito, essa cara de louca... Gata borralheira, você é princesa...
WANDERLÉA – E a princesa aqui procura um príncipe, não outra princesa, tá? Dá licença.
RITA – O sexo frágil não foge à luta.
WANDERLÉA – Zuza, sossega essa mulher.
RITA – Vem cá, meu bem, me descola um carinho. Eu só sossego com beijinho.
WANDERLÉA – Zuza! Ela tá me cantando!
ZUZA – A Rita é assim, vai morrer cantando.
RITA – Ok, já entendi. Desculpe o auê. Eu não queria magoar você.
RITA SAI.
WANDERLÉA – Ela tá muito...
ZUZA – Feliz. Essa é a vida que eu quis. Era tudo o que eu queria.
WANDERLÉA – E eu queria tanta coisa. Queria que essa noite nunca tivesse fim. Ai, Zuza, não tou legal. Por favor, fica comigo e não desgruda de mim. E me diz... por que é que a gente é assim?
SOBE UMA MÚSICA BEM DANÇANTE. ELES SE ABRAÇAM E DANÇAM COLADOS, COMO SE FOSSE UMA MÚSICA LENTA.
FIM.


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MÚSICA: IDEOLOGIA  - carla faour
CENA: AQUELE GAROTO QUE IA MUDAR O MUNDO.

CENA 1 – SALA DA CASA. INT. DIA

MENINO BRINCA ENQUANTO A MÃE FALA AO TELEFONE.
PAULINHO - O Super Homem vai acabar com os bandidos! Pow! Pow! Pow!
MÃE - Estou tremendo até agora, Ricardo. Precisa ver a confusão que tá aqui na rua. Polícia, sirene... tão dizendo que ele estava encapuzado. Coisa de profissional, mesmo.
PAULINHO - Eu tenho super poderes!
MÃE - O Paulinho tá bem. Agitado, mas bem.
PAULINHO - Não tenho super poderes, mãe? Mãe! Manhê!
MÃE - Nessas horas é importante a figura do pai, pra dar segurança. Que horas você vai passar pra pegar ele?
PAULINHO - Manhê, eu tenho super poderes?
MÃE - Tem, Paulinho. Tem sim.
PAULINHO - Oba! Eu tenho super poderes!
MÃE - Não vem? Como assim, Ricardo? De novo? Não acredito!
PAULINHO - Super visão de raio x! Super força! Vou matar todos os meus inimigos! Arrancar a cabeça de todos eles! Estourar os miolos!
PAULINHO SOBE NOS MÓVEIS FAZENDO BARULHO DE TIRO.
PAULINHO – POW! POW!
MÃE - Desce daí! Não, Ricardo, estou falando com seu filho. Vem cá, onde você tá, hem? Que barulheira é essa? Ocupado? Sei! Sei muito bem qual é a sua ocupação. (p/ Paulinho) Já disse pra você descer! Você vai se machucar, menino! Eu não acredito que, justo hoje, você não vem buscar ele! É o fim da picada!
PAULINHO - Mãe, se eu me machucar o Super Homem vem me salvar?
MÃE - Se você se machucar a sua “super mãe” vai te levar pro hospital. Porque o seu pai... Ué, qual o problema? Eu estou mentindo, Ricardo? Ele só tem a mãe mesmo, por que o pai... Sabe há quanto tempo você não vê o Paulinho?
PAULINHO - Quem é mais forte, mãe? Meu pai ou o Super Homem?
MÃE - Com certeza o Super Homem. (p/ Ricardo) É por isso que ele está com problemas na escola. É a falta da figura paterna. Eu o quê? Estou colocando o seu filho contra você? Ah, me poupe! Ricardo, eu não quero discutir isso na frente do. Paulinho, vai pro seu quarto, vai meu filho.
PAULINHO - Mas por quê?
MÃE - Por que eu quero!
PAULINHO - Mas eu...
MÃE – Eu estou mandando. Vai estudar. Já fez o seu dever de casa? Vai fazer o dever de casa. (P/ Paulinho)
PAULINHO – Pôxa, mãe.
MÃE - Agora! (p/ Ricardo)
PAULINHO - Aposto que o Super Homem nunca estudou.
MÃE - Aposto que você não vem pegar seu filho porque tá aí na farra, não é Ricardo? Na galinhagem...
MÃE CONTINUA CONVERSANDO COM PAI AO TELEFONE. PAULINHO VAI PARA O QUARTO FALANDO.
PAULINHO - Vou matar todos os impostores! Todos! Um por um! Tchum! Tchum! Vou arrancar os olhos deles. De todos os ladrões e malfeitores!
MÃE - Você pensa que ele não percebe o que tá acontecendo. Como “o quê”? Tudo! Ele sabe que você não dá menor bola pra ele... 
CENA 2 – QUARTO DE PAULINHO. INT. DIA.
PAULINHO ENTRA NO QUARTO E DÁ DE CARA COM UM HOMEM ENCAPUZADO, VESTIDO COM A ROUPA DO SUPER HOMEM. O HOMEM ESTÁ NERVOSO, ELE SEGURA UMA ARMA. AO SEU LADO, UM SACO COM OBJETOS ROUBADOS. O HOMEM ESTÁ DE TOCAIA, OLHANDO PELA JANELA, TENTANDO VER OQUE ESTÁ ACONTECENDO NA RUA.
PAULINHO – (LEVA UM SUSTO) Super homem?!
SUPER HOMEM - Shuuu! Cala a boca!
PAULINHO - Não acredito! O que você está fazendo aqui? Caraca, o Super Homem no meu quarto!
SUPER HOMEM - Se você der um pio, eu acabo contigo.
PAULINHO - Comigo? O que foi que eu fiz?
SUPER HOMEM – Nasceu!
PAULINHO - Ah, já sei! Já sei o que você tá fazendo aqui. Você veio prender os bandidos! Uhuu! (PAULINHO PROCURA ENTRE SEUS BRINQUEDOS UMA ARMA)
SUPER HOMEM – O que você está fazendo? O que é isso?
PAULINHO – Tô procurando a minha  arma. O meu revólver. Eu vou te ajudar a prender os ladrões.
SUPER HOMEM FICA NERVOSO E APONTA A ARMA DE VERDADE PRA ELE.
SUPER HOMEM – Larga isso! Quer dar uma de engraçadinho comigo, é? Se você fizer alguma coisa eu atiro, pivete.
PAULINHO – Calma, Super Homem eu só quero ajudar. Nós estamos do mesmo lado. Do lado dos fracos e oprimidos!
SUPER HOMEM – Me passa essa arma. Já disse, a arma! (SUPER HOMEM PEGA E VÊ QUE É UMA ARMA DE BRINQUEDO JOGA EM CIMA DA CAMA).
PAULINHO – Foi meu pai que me deu.
SUPER HOMEM - Cala a boca! Tem bebida aqui?
PAULINHO - Serve o toddynho da minha merenda?
SUPER HOMEM VAI ATÉ A JANELA PRA TENTAR VER ALGUMA COISA.
SUPER HOMEM –  Droga, eu tenho que arrumar um jeito de sair. Você viu se a policia ainda tá rondando?
PAULINHO – Não vi, não. Mas se você quiser eu chamo a polícia. Quer?
SUPER HOMEM – Não! Tá maluco?
PAULINHO – Bem que eu estava achando estranho. O Super Homem nunca precisou da ajuda dos tiras. Você resolve tudo sozinho, não é Super?
SUPER HOMEM – É... é isso mesmo.
SUPER HOMEM OLHA PELA JANELA NOVAMENTE. O GAROTO SE APROXIMA DO SACO. DE ONDE TIRA CELULAR, MÁQUINA FOTOGRÁFICA.
PAULINHO - Que saco é esse? Você trouxe presente pra mim?
SUPER HOMEM - Caralho! Não mexe nisso!
PAULINHO - Você fala palavrão, Super homem? Minha mãe diz que é feio falar palavrão.
SUPER HOMEM - Tira a mão daí! Tu quer morrer?
PAULINHO - Ninguém morre ao lado do Super homem!
SUPER HOMEM – Que mala...
PAULINHO - Você acha que nós estamos correndo perigo de vida?
SUPER HOMEM - Você está.
PAULINHO - Eu? (T) Manhê!
SUPER HOMEM - Shuuuu! Porra, moleque!
A MÃE GRITA DA SALA
MÃE - Que foi, Paulinho?
PAULINHO - O Super Homem tá falando palavrão.
SUPER HOMEM – Shuuuu!
MÃE - Paulinho, me dá uma folga, tá bom? Seu pai me estressou de um modo que eu estou toda tremendo por dentro.
SUPER – Agora você vai ficar de bico calado. Estamos entendidos?
PAULINHO - Vem cá. Vou te mostrar uma coisa. Promete que não conta pra ninguém?
PAULINHO MOSTRA GARRAFAS DE CACHAÇA ESCONDIDAS DEBAIXO DA CAMA OU NUMA CAIXA.
SUPER HOMEM -  Porra, tava escondendo o jogo, garoto?
PAULINHO – É tudo do meu pai. Ele me pediu pra guardar segredo.  Mas pra você eu posso contar, né? Afinal, você é o Super Homem.
SUPER HOMEM ABRE A GARRAFA E BEBE A CACHAÇA.
PAULINHO - Você bebe que nem o meu pai.
SUPER HOMEM - Teu pai deve ser gente boa.
PAULINHO - Minha mãe não acha!
SUPER HOMEM – Liga não, mulher é tudo igual.
BARULHO DE SIRENE.
SUPER HOMEM – Merda! Vem cá, garoto.
PAULINHO - O que você vai fazer?
SUPER HOMEM – Nós... nós vamos dar uma volta.
PAULINHO – Volta? Nós dois? Que maneiro! Eu vou voar? Caramba! Eu vou voar com o Super homem. Nós vamos prender os bandidos? Quando eu contar ninguém vai acreditar. Cadê a sua máquina?
SUPER HOMEM -  Que máquina?
PAULINHO – A máquina de tirar foto que tá dentro do saco. Eu quero uma foto com você. Eu e o Super Homem.
SIRENE DE POLÍCIA SE APROXIMA. SUPER HOMEM SE AGITA.
SUPER HOMEM – Foto a gente deixa pra depois, mas voar... Voar eu prometo que você vai.
PAULINHO – Que maneiro...
SUPER HOMEM PEGA O GAROTO, COLOCA A ARMA NA CABEÇA DELE E  SAI GRITANDO.
SUPER HOMEM - Se fizerem alguma coisa eu atiro no moleque! Não tô de brincadeira, não! Mando ele pro espaço! Tão me entendendo? Pro espaço!
SUPER HOMEM – (BAIXINHO P/ PAULINHO) Eu não disse, que a gente ia voar, garoto?
PAULINHO – Super Homem, quando eu crescer quero ser igual a você.
FIM.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Clube da Cena Unplugged - dia 5/08

Mais uma semana do Clube da Cena Unplugged. Uma noite completamente inspirada nas composições de Rita Lee.

Abaixo uma pequena palhinha das cenas dessa noite - sexta,  5/08!

QUEM ELE PENSA QUE É, de Regiana Antonini – música Esse tal de Roque Enrow
com Bia Guedes e Mariana Costa Pinto
direção de Paulo Mathias Junior


EROS UMA VEZ de Ivan Fernandes – música Cor de Rosa Choque
com Rita Fischer e Zé Guilherme Guimarães
direção Cacau Berredo


DESCULPE O AUÊ, de Cristina Fagundes – música Desculpe o Auê
com Renata Tobelem e Luis Lobianco
direção Miguel Thiré



MULHER BRASILEIRA de Renata Mizrahi – música Pagú
com Priscila Assum e João Rodrigo Ostrower
direção Susanna Krugger


VAMPIRO MUTANTE de Carla Faour – música Doce Vampiro
com Flávia Espírito Santo e Cláudio Amado
direção Breno Sanches


TE PEGUEI de Diego Molina – música Flagra
com Alex Nader e Renato Albuquerque
direção Fernando Melvin






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 E as cenas escolhidas pelo público como as favoritas foram:

Quem ele pensa que é, de Regiana Antonini e Eros uma vez, de Ivan Fernandes.

Clique aqui para ver a cena Quem ele pensa que é no youtube.

E clique aqui para ver a cena Eros uma vez no youtube.

Abaixo, os textos na íntegra para vocês acompanharem.

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EROS UMA VEZ
De Ivan Fernandes

(Eros e Psiquê em sua noite de amor. Estão nos momentos imediatamente seguintes ao êxtase; no momento “cigarrinho”, jogados na cama, arfando, com um sorriso aberto.)

P - Eros?

E - Oi, coração?

P - Você me ama?

E - Claro que sim.

P - Tem certeza?

E - Tenho.

P – Mas tem certeza como?

E - Sei lá. Tendo, ué.

P - E se eu fosse outra? E se eu fosse Afrodite?

E - Mas Afrodite é minha mãe!

P - E por isso você acha que ela é melhor que eu?

E - Não! Quem disse isso?

P - Você!

E - Eu? Não! Quando?

P - Disse sim, você acabou de dizer que acha ela melhor do que eu.

E - Impossível! Eu acho você a melhor de todas!

P - De todas? De todas as mulheres da Grécia? Como é que você pode saber disso?

E - Eu sou Eros, Psiquê, esqueceu? Eu conheço todas!

P - Então você acha que eu sou a melhor?

E - Acho.

P - Tá vendo? Você acha, não tem certeza.

E - Caralho.

P - E se você nunca tivesse me encontrado?

E - Como assim?

P- Você ia estar dizendo essas mesmas coisas pra outra. Como você é cara de pau, hein?

E - Quer saber, não vou falar mais nada. Depois da nossa noite de amor mitológica você me vem com DR?

P - Eu não quero DR. Só quero saber o que você sente. Isso é pedir demais?

E - O que eu sinto? Você acha que eu iria fazer tudo que fiz por você, brigar com todos os deuses, resgatar você da morte, se não sentisse nada?

P - Mas por que você fez isso?

E - Porque eu amo você!

P- Quem disse?

E – Eu!

P - Como você sabe? O que diz isso pra você?

E - Meu coração.

P - Ele diz “É isso aí, Eros, essa é a mulher da sua vida”?

E - É isso que ele diz.

P - E você acredita em tudo que ele diz?

E - Nem sempre. Mas agora sim.

P - E o que ele tá dizendo agora?

E - Que essa é uma conversa idiota.

P - (levanta, puta) Tá vendo? Por que é assim sempre que eu tento conversar sério com você?

E - Que é que tá pegando, Psiquê?

P - Eu quero terminar, Eros! Não posso ficar com um cara que não me compreende. (vai catando suas coisas)

E - Mas você atravessou tantos sacrifícios pra estar aqui! E agora que nós finalmente estamos juntos, você quer ir embora?

P - A culpa é sua! Você não me dá escolha!

E - Mas eu não fiz nada!

P - Justamente! Você tá me vendo ir embora e não faz nada pra impedir!

(sai, chorando. Ele vai atrás dela)

E - Psiquê! Peraí! Vamos conversar...

P - Você tem ignorado todas as minhas necessidades emocionais. Eu não aguento mais!

E - Desculpa benzinho, eu não sabia.

P - Eu só quero estar com alguém que me ame de verdade. É pedir muito isso?

E - Mas eu te amo de verdade.

P - Mas você não demonstra! Sei lá, parece que tudo eu preciso falar pra você entender. Se você me amasse mesmo, me entenderia sem eu precisar falar, sem eu precisar pedir, porque amor é isso, amor é sintonia, entende?

E - Entendo. Sintonia. Eu prometo que eu vou mudar, benzinho.

P - Jura?

E - Juro.

P – Jura mesmo?

E – Juro mesmo.

P – Então vamos acabar com essa discussão?

E - Vamos. (pausa)

P - Como é que se acaba com a discussão, Eros? Será que até isso eu vou precisar falar?

E – Psique, cala a boca e me beija.

P - Ai! Meu amor! Meu amor!

(beijam-se. Música. Transição de luz. Estão novamente no momento cigarrinho.)

P - Então amor. Você me ama?

E - Oi?

P - As coisas ainda não tão muito claras pra mim. Tem certeza que me ama? (Eros está olhando sem acreditar) Mas tem certeza como?

E - Quer saber? Cansei! Fui! Vou procurar a Helena de Tróia que é menos complicada! (sai)

P - O quê? Já vai! Eu sabia! Usou e agora joga fora! E aquela conversa toda de que me amava? Você não passa de um canalha igual todos os outros! Vai, vai voando por aí conquistar outra desprevenida! (se joga no chão, chorando, no melhor clima “atrás da porta”) Ninguém entende as mulheres! Ninguém! (pega um telefone) Alô, Medeia? Amiga, você não sabe o que o Eros fez... o quê? O Jasão te largou? Que canalha! Ai, amiga, eles são todos assim... Vem pra cá, vamos chorar juntas, botar um disco do Chico na vitrola... Ah, hoje não é dia do Chico? É Rita Lee? Rock’n’roll? Vingança? Grande idéia! Mas você vai fazer isso mesmo com o Jasão, Medeia? Como você é má! Adorei! Vou pensar em alguma coisa parecida! Ai, amiga, foi ótimo conversar com você. (desliga) Isso merece até uma celebração! (pega uma garrafa de champanhe cor de rosa) Por isso não provoque, Eros... por que de hoje em diante, mulher alguma vai oferecer aos homens o presente do amor, sem o turbilhão da vingança. Eu, Psiquê, inauguro para todo o sempre a Guerra dos Sexos! (estoura a rolha da garrafa) Um brinde! E música!

(música: Por isso não provoque / É cor de rosa choque) 



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QUEM ELE PENSA QUE É? - de Regiana Antonini

( inspirada na música “ESSE TAL DE ROQUE ENROW” – Rita Lee)
               
EUVIRA (MÃE) E CAROL (FILHA) SENTADAS EM DUAS POLTRONAS DE UMA SALA DE TERAPIA. FALAM COMO SE ESTIVESSEM EM FRENTE A UM TERAPEUTA.

EUVIRA – Então, doutor, Minha filha Caroline...

CAROL – Carol, mãe! Só Carol, please!

EUVIRA – Agora veja bem a situação de uma mãe: a gente passa nove meses esperando uma criatura sair de dentro da gente, prepara quarto, bercinho, enxoval, quebra o pau com o marido, com a sogra, por conta do nome que a gente quer dar pra criança. Então depois de muito debate, consegue-se a aceitação de todos: Caroline! Um nome lindo, nobre! Nome de princesa! Aí, o tempo passa e essa criatura ingrata cresce e vira “Carol”! Carol não é nome, é sigla: Companhia de adolescentes rebeldes organicamente loucas!

CAROL – Ai, mãe! Vai começar!

EUVIRA – Sim, vai começar sim! Estamos aqui pra isso! Pra começar uma terapia, uma constelação familiar! Sim porque dialogar com você tá difícil pacas!

CAROL – “Pacas”? Hellô! De que planeta você veio?

EUVIRA – Não foge do assunto, não, menina! Eu disse que tá muito difícil conversar com você!

CAROL - Claro, você não me entende! Não me escuta! Não leva a sério meus problemas! É sem noção total!

EUVIRA – É que você só fala num idioma à parte: o carolêz! (IMITA) “Mãe, aí demorô: tô indo pra uma parada tipo raive, com a galera da “capú”, antes vamo bater um rango vegê. Fica tranks que a coisa é irada. Tô indo com o Roque, formô?” Não, não formou, não formou uma frase! E tem mais: agora, doutor, ela só fala desse tal de “Roque Enrow”!

CAROL – É só Roque, mãe!

EUVIRA – Minha filha, só existem 2 possibilidades para um Roque, ou ele é Santeiro, ou é Enrow! O primeiro não se aplica a ele, porque santo ele não é, nem nunca será, portanto sobrou o “Enrow” que vem num pacote escrito: “sexo, drogas e roque enrow”!

CAROL – Ai, cara, você é muito doida mãe!

EUVIRA – Eu? Imagina! Eu procuro estar por dentro, sabe, Doutor,
dessa nova geração! Faço de tudo, juro! Mas minha filha não me leva a sério, doutor! É cheia de mistério! Fala em código quando tá no telefone! Ela dança o dia inteiro e só estuda pra passar! E já fuma com essa idade, Doutor! Ela não pensa no futuro! Ela nem vem mais prá casa, Doutor! Só fica enfurnada na casa desse tal de Roque Enrow!

CAROL – É só Roque, cara! Que saco!

EUVIRA – E o pior não é isso não! Ela não teve a pachorra de levar esse rapaz lá em casa! De me apresentar pra ele! Então quando ela fala desse tal de Roque Enrow, eu penso: quem é ele? Uma mosca, um mistério? Como será a cara desse rapaz?

CAROL – Claro, seu eu levar o Roque lá em casa, você vai encher o pobre coitado de perguntas! Ele vai ficar boladérrimo! Mas meu pai conhece ele, tá legal?

EUVIRA – Tá vendo doutor? O pai dela conhece ele! Deve ter fumado muita maconha com ele, sim porque o pai da Maria Caroline é maconheiro e dos bons! Fuma um baseado de duas em duas horas, parece até remédio homeopático!

CAROL – Mãe, meu pai é que tá certo! Você fala pelos cotovelos! Parece até que engoliu uma arara!

EUVIRA – Tá vendo doutor? É assim que ela retribui o amor e o carinho que sempre dei a ela! Aliás, podemos fazer a cena? Esse troço de constelação familiar não é assim? Tem a ceninha baseada na gente, aí a gente assiste, debate e depois chega a uma determinada conclusão?

ENTRAM 2 MULHERES. UMA VESTIDA IGUAL A MÃE, COM UM CRACHÁ ESCRITO “MÃE” – VAMOS CHAMÁ-LA DE EUVIRA 2. E OUTRA COMO FILHA, TAMBÉM COM UM CRACHÁ ESCRITO “FILHA” – VAMOS CHAMÁ-LA DE CAROL 2.

EUVIRA – Ah, tá! As mocinhas já estão aqui! Ela sou eu? Impressionante como ela se parece comigo...

ATRIZ MÃE – Vocês responderam a uma série de perguntas...

ATRIZ FILHA – A partir disso, criamos uma cena, que poderia com certeza fazer parte do cotidiano de vocês...

ATRIZ MÃE – Pedimos que vocês assistam a cena para depois debaterem a mesma com o doutor...

EUVIRA – Ai, que maravilha!

CAROL – Ai que saco!

EUVIRA - Podem dar o terceiro sinal!

CAROL 2 DEITA-SE NUMA CAMA E EUVIRA 2 ENTRA CHAMANDO POR ELA.

EUVIRA 2– Maria Carolina (VÊ A MENINA DORMINDO) Dormindo?

CAROL 2 – Tô com sono...

EUVIRA 2 – “Sono”? Uma menina de 14 anos de idade, uma “DE LIMA E SILVA” não pode ter sono no meio da tarde!

CAROL 2 – Mas, mamãe, eu estou de férias!

EUVIRA 2 – Tá é chapada, isso sim! Não se esqueça que hoje é o dia do teste pra você entrar pro Colégio Santo Inácio! Sua vida vai mudar! (EUVIRA PEGA UMA ROUPA E JOGA EM CAROL). Toma: veste isso.

CAROL 2 – Mas isso é muito cafona! (VESTE)

EUVIRA – (INTERROMPE A CENA) Viu, doutor? Ela odeia meus vestidos!

CAROL – Cala boca mãe! Olha o mico!

EUVIRA – Que mico? Eu, hein! É que é bom esclarecer pro doutor que aquela roupa não era cafona, era uma roupa de grife, clássica, só isso! Desculpa aí!

EUVIRA 2 – (VOLTA P/CENA) E depois, você está lind... (T) Tá medonho! Tira! Também, seu corpinho não tá ajudando... quantos abdominais você fez hoje?

CAROL 2 – (FALA BAIXO) Nenhum....

EUVIRA 2 – Não escutei! Projete sua voz para o núcleo sonoro do quarto!

CAROL 2 – (MAIS ALTO) – Eu não fiz nenhum...

EUVIRA 2 – É por isso que você está assim, acima do peso: gorda!

EUVIRA (INTERROMPENDO NOVAMENTE A CENA) – Com licença! Eu preciso deixar claro doutor, que sempre fui muito sincera com a minha filha! Sim porque o mundo de hoje é um mundo cão, não é? Não tem espaço pra obesidade! Minha filha estava enorme nessa época! Emagreceu 1 kilo e oitocentos gramas na marra! Hoje tá linda! Um biscuit! Pode continuar! Desculpa aí!

CAROL 2 (VOLTA P/CENA) – Mamãe, eu já tô magra o suficiente...

EUVIRA 2 – “Nunca se está suficientemente magra, nem suficientemente rica”, entendeu? Você precisa fazer ginástica! Correr! Nadar! Comer mato, fazer fotossíntese! E obviamente passar no teste para entrar pro Colégio Santo Inácio! Conviver com pessoas educadas, de boa família, com objetivo na vida!

CAROL 2 – Ah, não mãe! Eu não quero entrar pra esse colégio, não quero fazer teste nenhum! Tô de férias e vou ficar de bobeira....

EUVIRA 2 – Quem fica de bobeira, de bobeira permanece! Veste essa! (JOGA UM TAIÊR NELA)

CAROL 2– (VESTE DO LADO CONTRÁRIO) – Mamãe, eu não sei vestir esse treco aqui! Tá certo assim?

EUVIRA 2 – Não! Nem o blaiser, nem essa sua cara de muxoxo verde. Bota um sorrizinho nessa sua carinha de nabo, porque uma adolescente candidata a uma vaga nesse colégio tem obrigação de ser simpática! (CAROL DÁ UM SORRISO AMARELO) Vamos aos sapatos! (ESCOLHE E JOGA NELA) – Esse!

CAROL 2 – Mas esse salto é maior que eu!

EUVIRA2 – Sim, você é uma tampa! Uma anã! Puxou a família do seu pai, porque eu, na sua idade era alta e sabia muito bem o que eu queria! Ser rica! Milionária!

CAROL2 – Então, você casou com meu pai por dinheiro? Oh... Você nunca amou papai... Eu sinto isso...

EUVIRA 2 – E eu sinto muito! Ah, toma cuidado, porque você pode ter herdado por parte dele uma certa inclinação ao vício! Sim, porque a preguiça a gente sabe que você herdou!

CAROL 2 – E o que será que eu herdei da senhora?

EUVIRA 2 – Nada. No futuro, quiçá, os meus sapatos. (PEGA BACIA C/ GELO) Vamos acordar!! Você precisa estar atenta durante a provinha! Enfia sua cara aqui!

CAROL 2 – Aí? Mas, tá cheio de gelo... eu tô com frio!

EUVIRA 2 – E eu com pressa! Anda menina! (PEGA A CABEÇA DELA E ENFIA) Um dia, você vai me agradecer!

EUVIRA (GRITA INTERROMPENDO) Parei! Não, não! Não foi bem assim! Minha filha, Caroline, enfiou a cara na bacia porque entendeu que era o melhor pra ela! Do jeito que vocês fizeram, parece até que eu sou uma mãe louca e cruel!

CAROL – Mas é exatamente isso que você é: uma mãe louca e má! Você não tem sentimentos nem por mim nem por ninguém! Você nunca me entendeu nem vai conseguir me entender, porque você só pensa em você! Pra mim, já deu! (SAI)

EUVIRA – Caroline! Caroline! Ca... (T) Viu doutor? O jeito que essa menina falou comigo? Sabe o que é isso? Má influência! E tudo culpa de quem? Desse tal de Roque Enrow! Mas eu vou dar um jeito nisso! Afinal, quem ele pensa que é?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Semana do Raul Seixas

Terceira semana do Clube da Cena Unplugged. Dessa vez o compositor inspirador das cenas foi Raul Seixas.

Abaixo, uma pequena palhinha da noite.

A REVELAÇÃO, de Carla Faour -  música Gita
com Pia Manfroni e Cacau Berredo – direção Alexandre  Bordallo


EU QUASE DISSE SIM, de Cesar Amorim  - música Cowboy Fora da Lei
com Marcelo Dias e Thais Lopes - direção Márcio Libar


AONDE VOCÊ PENSA QUE VAI, de Renata Mizrahi - música Carimbador Maluco
com Cristina Fagundes e Jorge Neves – direção Fernando Melvin


MALUCO , BELEZA? de Leandro Muniz  - música Maluco Beleza
com Maíra Kesten e Zé Auro Travassos – direção Lincoln Vargas


UM TAPA NO CHAPEUZINHO, de Ivan Fernandes - música Como Vovó Já Dizia
com Ana Paula Novellino e Marino Rocha – direção Cico Caseira


ELIXIR DO AMOR, de Cristina Fagundes - música Metamorfose Ambulante
com Alexandre Barros e Mariana Santos – direção Wendell Bendelack

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E as cenas escolhidas pelo público como as preferidas da noite, foram:

Música: Como Vovó Já Dizia, Raul Seixas


UM TAPA NA CHAPEUZINHO
De Ivan Fernandes

A vovó em casa, com som alto (Pink Floyd). Batidas na porta.

V - Quem é?

CH – (de fora) Sou eu, vovó!

V - Espera só um segundinho. (bota um óculos escuros) Pode entrar!

(entra Chapeuzinho Vermelho)

CH - Ai, vovó, que som alto! (abaixa)

V - Que surpresa, Chapeuzinho...

CH - Mamãe pediu pra trazer esses doces.

V - Corta esse papo furado. Sei muito bem que a minha filha te manda aqui pra me espionar. Ela acha que eu não sei cuidar de mim sozinha.

CH - E por acaso sabe? Olha só, vovó, mas que bagunça essa casa! Os lençóis todos pelo chão... (começa a arrumar a casa) Isso é um perigo, se a senhora tropeça...

V - Deixa isso aí, Chapeuzinho. Amanhã a Gata Borralheira arruma. A madrasta dela liberou a pobrezinha pra fazer um bico de diarista pra mim.

CH - A senhora lembrou de tomar todos os remédios?

V - Não, minha filha, minha memória tem andado péssima, não sei o que pode ser isso.

CH - E me diga, pra que esses óculos escuros tão grandes dentro de casa, vovó?

V - Porque acabou o colírio, Chapeuzinho. Essas luzes todas fazem mal aos olhos. Mas esses doces chegaram em boa hora. Passa pra cá. (pega a cestinha e come, com larica)

CH - (farejando) A senhora deixou alguma coisa no forno? Tá um cheiro de queimado...

V - (passando spray de bom-ar) É que aqui na floresta tem muita queimada. É um absurdo. Fica esse cheiro de mato queimado. Já acabou o inquérito? Então, senta, relaxa! Destensiona, menina! Você tá na casa da vovó! Aqui é um território livre! Veja como são lindas as flores. Pare para ouvir os passarinhos. E tira esse chapeuzinho, faz você parecer uma colegial.

CH - Mas eu sou a heroína desta história, vovó.

V - Não seja besta de tirar onda de heroína, minha netinha... esse negócio de moça direita é uma canoa furada! A sua mãe foi direita a vida toda e apesar dos doces, é tão amarga... Já eu, queimei meu sutiã, fui pra woodstock e sou feliz até hoje!

CH - Por falar na mamãe, a gente estava pensando... está meio difícil pra senhora se cuidar sozinha... sabe, permanecer aqui, isolada, na floresta... por que a senhora não vem morar com a gente?

V - De jeito nenhum! Eu estou muito bem aqui, com a minha casa, minhas ervas naturais, meus amigos.

CH - Amigos? A senhora tem amigos?

V - É claro, ora. Você acha que eu estou enterrada? Estou velha mas não estou morta!

CH - Mas vovó, isso é muito perigoso. As pessoas se aproveitam dos idosos.

V - Não é bem um amigo...

CH - Como assim?

V - A gente tá... ficando...

CH - A senhora quer dizer... um namorado???

V - Calma, menina... não vamos apressar as coisas... a gente ainda tá se conhecendo, se curtindo...

CH - Mas meu Deus, o que é que os outros personagens de contos de fadas vão pensar disso?

V - Que o nosso amor é proibido e desafia todas as convenções. Como deve ser o amor de verdade.

CH - E posso saber quem é esse namorado? Ele tem alguma posição, alguma colocação? Ele trabalha?

V - Bom, ele...

CH - Ele...

V - Ele vive aqui na floresta...

CH - Um pobre! Era só o que faltava! A senhora acha que ele tá de olho em quê, vovó? Na sua casa, claro!

V - Ele é boa pessoa! Quer dizer, não é bem uma pessoa...

CH - Como assim? vovó?? Não vai me dizer que a senhora...

V - É melhor você conhecer logo ele. (para dentro) Josenilton! Pode dar um pulinho aqui, meu bem!

CH - (sussurra, escandalizada) Ele tá aqui?!

V - Você não avisou que vinha!

(aparece o Lobo Mau, envolvido numa toalha, também de óculos escuros)

L - Salve, salve, Chapeuzinho! Hum! Será que sobrou algum doce? (vasculha na cesta)

CH - Mas... mas... é o... o Lobo! O Lobo Mau!?

V - Eu te disse, Josenilton, esse preconceito te acompanha onde você vai. José Nilton é um lobo bom, trabalhador, minha netinha! Ele me ajuda tanto. Ontem, mesmo, tinha uma pantera rondando a casa... pois Josenilton deu um tapa na pantera e afastou o perigo!

CH - Vovó... a senhora se juntou ao meu... ao meu pior inimigo?

L - Escute, Chapeuzinho, eu sei que temos um passado, mas a vida continua, você precisa superar isso...

CH - Cale essa boca, seu conquistador imundo! Nem a minha avó você alivia?

V - Não fale assim, minha filha. Uma mulher como eu, na idade da loba, precisa mesmo de um par.

CH - Mas... vovó... nós somos exemplo para milhares de crianças!

V - Pois bem, criançada! Escutem a dica da vovó: é melhor se entender com os lobos do que passar a vida sonhando com os príncipes! Não viram o que aconteceu com a Bela Adormecida? Esperou mais de cem anos!

(batem na porta. Chapeuzinho abre. Entra o caçador)

CA - Tudo bem por aqui, vovó? Ouvi música muito alta! Tem alguma coisa queimando no forno?

V - Só faltava essa! O chato do caçador!

L - Ih! Sujou!

CH - O lobo está ali, seu caçador! Seduzindo uma pobre e indefesa velhinha!

V - Opa! Indefesa não! Eu fui pra Woodstock! Eu queimei meu sutiã! Eu tenho perfil no Facebook! Quem manda nessa história sou eu!

CH - Opa! Eu sou a principal! É o meu nome que está no título! É o meu chapeuzinho que está a venda nas lojas!

V - Você não é mais criança, menina! Para de falar como se apresentasse um programa infantil! A sua mãe te trata como se você fosse uma bonequinha guardada numa caixa! Você vai acabar igual a ela, entupida de botox e prozac. Tira essa capinha ridícula e vai cair no mundo! Ouve o que a sua vó diz!

CA – (para o Lobo) Você não acha que eu tenho que tomar uma atitude?

L - Que é isso, cara? Vai se meter no meio de duas mulheres brigando? Quem vai acabar apanhando é você!

V - Por exemplo, você, Caçador! Em vez de ficar perseguindo o pobre Josenilton, porque não convida a Chapeuzinho pra sair?

CA - Eu?

CH - Mas vovó!

CA - Eu sempre tive admiração por Chapeuzinho, mas...

V - Então pronto! Tem uma boate excelente no pântano dos aligators!

CH - Mas o pântano é sinônimo de música ensurdecedora, de drogas, de depravação!

V - Então, vocês vão se divertir muito por lá! (bota os dois pra fora. Para o Lobo) Enfim, sós!

L - Ahn, amorzinho, sabe o que é, esta confusão toda me deixou tão cansado! Será que sobrou algum doce?

V - Já cansado? Mas você é tão jovem! Ainda temos a noite toda pela frente!

L - A noite toda? Mas fazem dois dias inteiros que a gente não sai daquele quarto! E sabe o que é, hoje tem aquele jogo e eu...

V - Não acredito que você vai me trocar por futebol depois de dois diazinhas de sexo apressado!

L - É que hoje é a final! E eu apostei no time dos urubus!

V - Apostou? Com que dinheiro? Não vai me dizer que foi com a prestação da casa!

L - Não se preocupe, amor, eu recupero, o jogo tá moleza pros urubus! (sai)

V - Josenilton! Volte aqui! Josenilton! Não! (cai em prantos) Eu fui pra Woodstock, eu queimei meu sutiã, eu marchei pelas diretas, mas tem uma coisa que não muda: é dos canalhas que elas gostam mais! (chora. Batem na porta, ela atende) E não adianta me pedir desculpa, essa foi a última vez... hein? (entra Barba Azul) Barba azul?

B - Eu estava passando por aqui, vovó, vi suas luzes acesas e pensei em convida-la para um café no pântano dos Aligators.

V - Jura? No pântano? Por que não? Me dê só o tempo de botar meu casaquinho. Lá faz frio!

B - Ora, para isso eu tenho braços grandes e fortes!

(ela ri, encabulada, veste um casaco de couro estilo hell’s angels e se encaminham para a porta)

B - Será que tem fila na porta?

V - Ah, não se preocupe, Barba Azul. É como vovó já dizia: a fila anda!

(saem)


Clique aqui e assista a cena no youtube.

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ELIXIR DO AMOR   de Cristina Fagundes  

Cena inspirada no universo neurótico, cínico e divertido de Woody Allen.

MULHER ENTRA NUM CONSULTÓRIO, UM HOMEM ESTÁ SENTADO NUMA MESA.
MULHER: Doutor Istvan.
DOUTOR: Dona Lídia.
MULHER: Minha amiga me falou das habilidades do senhor com doenças raras. Ela me disse que o senhor utiliza métodos pouco convencionais mas que o senhor faz milagres então/...
DOUTOR: Sente-se.
MULHER: (SENTA) Obrigada. (tempo) ... bem, eu já fui a diversos médicos mas nenhum até hoje...  Bom eu achei que talvez o senhor... /
DOUTOR: Abra a boca. (examina)
MULHER: (aflita e com a boca aberta) Eu preciso tanto da sua ajuda, doutor Istvan.
DOUTOR: (tempinho, ele a examina) Você tem sentido algum mal estar físico?
MULHER: Não. 
DOUTOR: Sente dor?
MULHER: Não.
DOUTOR: Enjôos? Fadiga? Nada?
MULHER: (nega) Hum hum.  
DOUTOR: Flatulência?
MULHER: (reluta, tímida) Só quando eu como ervilha.
DOUTOR: Ervilha? Curioso. Comigo é quando eu como feijão. Mas faz sentido... faz sentido, ervilha não deixa de ser um feijão não é?
MULHER: (achando aquele papo meio estranho) é...
HOMEM: Agora me fale sobre a sua doença.
MULHER: (toma coragem) Eu não consigo me apaixonar doutor.   
DOUTOR: Hum rum... (anota num caderno) Não se apaixona...
MULHER: Simplesmente não consigo. Acho que sou defeituosa para o amor, isso, acho que eu tenho algum tipo de defeito que me impede de amar.
DOUTOR:  E desde quando isso vem acontecendo?
MULHER: Desde sempre. Nunca me apaixonei.
DOUTOR: Nem na adolescência? Nenhum suspiro? Nenhum amor platônico?
MULHER: Nada. Nunca gostei de ninguém. Mas eu quero mudar doutor, a partir de hoje eu quero ser outra mulher, eu quero me apaixonar. Eu quero sentir o que é isso que todo mundo fala. Meu deus eu sou uma mulher.  Deveria querer me casar, ou no mínimo já ter sofrido por amor. Toda mulher sofre por amor,mas eu não. Eu nunca! Então eu não posso ser normal, entende? Nunca derramei uma lágrima por homem nenhum. Eu tenho um coração de pedra! De pedra!  O senhor tem que me ajudar! (desesperada sacode-o pela camisa).
DOUTOR:  Calma Dona Lídia, calma, por favor, solta a minha gola, por gentileza sim? Isso, bem melhor. 
MULHER: Mas eu posso mudar, não posso doutor? Todo mundo tem direito de se transformar numa pessoa diferente se quiser não é mesmo?  
DOUTOR: Hum rum.
MULHER: Eu não quero mais ser essa mulher fria.  Eu preciso saber o que é o amor Doutor!
DOUTOR: Sim, sim. Algum namorado?
MULHER: Já tive 5. Mas não gostei de nenhum. De nenhum!
DOUTOR: Algum relacionamento mais sério?
MULHER: Fui noiva de um militar.
DOUTOR: Foi?
MULHER: Fui. Não sou mais.
DOUTOR: O que houve?
MULHER: Eu não gostava dele, então achei melhor acabar.
DOUTOR: E como ele reagiu?
MULHER: Bem... mas disse que vai me matar.
DOUTOR: Te matar?
MULHER: È, ele cismou com isso.  
DOUTOR: Você se sente ameaçada por ele?
MULHER: Claro. Frederico não mente. Todo homem mente, mas Frederico não. Frederico é honesto.  Tão honesto que parece até mulher. Deve ser por isso que eu não gosto dele. (procura algo na bolsa) (encontra o que procurava)... Olha aqui, ó. (mostra uma arma).
DOUTOR: Que isso?
MULHER: É pra me defender dele.  Frederico não mente mas é muito agressivo. Teve uma mãe repressora, coitado. Ela era dentista. (olha no olho dele – tempinho) O senhor precisa me ajudar doutor Istvan, minha amiga me assegurou que o senhor tem a cura pra tudo. Pra tudo!
DOUTOR: Por favor guarde isso D. Lídia. (ela larga a arma na mesa)
MULHER: Liberta meu coração doutor!  
DOUTOR: Dona Lídia, calma, me escuta. Calma! Eu tenho algo aqui que talvez.. mas pode ser arriscado.
MULHER: Não faz mal, eu não me importo!
DOUTOR:  (pega um frasco antigo e coloca em cima da mesa na frente dela) Se você tomar isso, não tem volta, você compreende o que isso significa?  Essa poção não tem antídoto.  Ela vai agir no seu sistema nervoso central e você vai passar por uma verdadeira metamorfose emocional, você está disposta a isso?
MULHER: Sim, por favor!
DOUTOR: (se vira de costas para pegar um papel para anotar as  recomendações) Você vai ter fazer exatamente como eu mandar, é muito importante que você siga corretamente as minhas orientações porque senão ... (percebe que ela bebeu a poção) O que que você fez?!! Você bebeu isso?  Você bebeu a poção?
MULHER: (tímida) bebi.
DOUTOR: Você não podia ter feito isso!  E agora?
(ela começa a tossir, a passar mal). Dona Lídia. Calma! Respira, isso. 
MULHER:  Ai, meu coração doutor... ele tá acelerando...
DOUTOR: O que que você tá sentindo?
MULHER: Ai, uma palpitação aqui... (TEMPO - CHAMA)Doutor.
DOUTOR: Sim?
MULHER: (tempo – olhos nos olhos) Eu te amo!
DOUTOR: Ai, eu sabia! É a poção.
MULHER: Eu te amo tanto! Eu amo te amar... eu amo amar te amar...eu amo amar amar te.../
DOUTOR: Cristo! Você não podia ter bebido a poção e olhado para mim.
MULHER: Mas eu adoro te olhar, eu quero te olhar pra sempre Istvan! Vem aqui pertinho vem!
DOUTOR: Dona Lídia, presta atenção, você não me ama, isso é o efeito da poção que eu te dei, você tá me entendendo?
MULHER: Adoro esse seu botão (da camisa), ai que barriga linda, ó, você é tão másculo Istvan! Vem cá meu amor!
DOUTOR: Escuta: você não me ama, você acha que me ama porque tomou a poção do amor. 
MULHER: ó Istvan, o que é que você esconde aí embaixo hein? (se refere à calça dele – dá uma patolada nele).
DOUTOR: Dona Lídia, por favor!
MULHER: Me beija, meu amor! Me beija!
DOUTOR: Dona Lídia, me escuta, essa poção não tem cura, então a senhora vai ter que aprender a administrar seu amor por mim, você tá me ouvindo?
MULHER: (concorda) Hum rum. Faça amor comigo Istvan!
DOUTOR: Pare com isso. Dona Lídia por favor!
MULHER: Mas por que Istvan? Você não me acha atraente?
DOUTOR: Você tomou um gole grande disso?
MULHER: Ò Istvan, eu quero tanto te morder! I Love you! Je t´aime Istvan!  Faça amor comigo agora, eu te suplico! (ela salta em cima dele, perigosa, tarada).
DOUTOR: Dona Lídia, que isso?!
MULHER: Vem aqui! Hein? Que que custa?
DOUTOR: Eu não posso... ai, tira mão daí Dona Lídia!
MULHER: Mas por que Istvan?  Por que que você tá me maltratando assim?
DOUTOR: Ai, assim você me machuca!
MULHER:  E se eu disser que tenho uma coisa pra te mostrar hein Istvan? (começa a abrir a blusa)
DOUTOR: Eu não quero ver nada Dona Lídia. Nada!
MULHER: Mas por que Istvan? Por quê?! Olha isso aqui Istvan!  (tenta mostrar a calcinha mas ele a segura).
DOUTOR: Chega! Dona Lídia, Chega! Agora presta atenção, olha pra mim.
MULHER: ò istvan, eu amo te olhar. Eu amo amar te olhar, eu amo amar amar te.../
DOUTOR: Presta atenção no que eu vou te falar: eu sou gay, você entendeu agora? Eu sou gay!
MULHER: (pára) o quê?
DOUTOR: Eu nunca vou poder corresponder ao seu amor, eu sou gay Dona Lídia. Gay desde menino.
MULHER: Mas Istvan...
DOUTOR: Eu paquerava os meninos no banheiro da escola.
MULHER: Ò Istvan, que horror!
DOUTOR: Eu sinto muito.
MULHER: Mas você não pode mudar isso?
DOUTOR: Dona Lídia, não existe ex-gay.
MULHER: Faz esse esforço, por mim... ó Istvan, o que vai ser de mim?
DOUTOR: Dona Lídia, por favor...
MULHER: Eu te amo tanto.
DOUTOR: Eu sei, mas o que que eu posso fazer? Eu não posso me transformar em outra pessoa, eu queria te ajudar mas essa é a minha orientação sexual e/
MULHER: (aponta arma pra ele) Era.
DOUTOR: Como assim era?
MULHER: Beba isso, Istvan. Ainda resta um gole.
DOUTOR: Mas...
MULHER: Bebe agora.
DOUTOR: Você tá falando sério?
MULHER: Eu sou uma mulher apaixonada Istvan. E desesperada.
DOUTOR: (bebe e começa a passar mal). Ai..
MULHER: Istvan! O que que você tá sentindo? Me fala!
DOUTOR: Raiva.  Você não podia ter feito isso comigo.
MULHER: Desculpa Istvan.
DOUTOR: Eu gostava tanto de ser gay!
MULHER: Gostava? Mas então você não gosta mais?
DOUTOR: Me dá um beijo Lídia! Um beijo de língua! Eu quero um beijo melado!
MULHER: Ó Istvan! Vou te dar um beijo sim! Um beijo bem babado!
DOUTOR: Ó Lídia! Que beijo molhado!
MULHER: ò Istvan, eu estou toda babada! Toda babada!
DOUTOR: Ò Lídia, eu te amo tanto!
MULHER: E eu amo te amar. 
DOUTOR: E  eu amo amar te amar...
MULHER: E eu amo amar amar te.../ (eles vão continuar a falar que amam amar etc e tal por um tempão...mas a luz vai caindo.)
fim.

Clique aqui e assista a cena no youtube.